Marçal de Oliveira Huoya

Astros

 

Eu já passei na sua vida

Fui remédio e fui ferida

Fui meteoro e Astro-Rei
E agora sou somente o seu passado

Eu sou seu saldo

Ou já não sou

E eu já nem sei

Em tempo de estio
As vezes rio

As vezes choro

As vezes eu peço

As vezes imploro

O animal no cio

Sai pelos poros

Um coração vazio

As vezes volto

E te namoro

Sou réu confesso

As vezes cesso

As vezes coro

Eu me despeço

Mas te decoro

Ousado

Lhe fiz de lado

E pela frente

Em pé, deitado

Ou indiferente

Fui recebido

Como um convidado

Sendo julgado e absolvido

Sendo beijado

Sendo lambido

Vendo de noite

O sol corado

Chuva de açoite

Que me fez chover

Luz indiscreta

Tragar o poeta

E alimentar você...

Comentários1

  • Maria dorta

    Boas metáforas,duplos sentidos. O poema sai do lugar comum,é atrevido. Chapéu!



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.