Marcellus Augusto

Peregrino perdido.

Tomei o caminho errado,

E agora estou sem rumo

Não me reconheço, 

Porque me perdi, 

E como me perdi, 

Agora não consigo me encontrar. 

Não sei como cheguei onde cheguei, 

Mas também não sei como irei sair do buraco que me meti

Uma junção de fatores: 

Um vício não administrado, 

Uma ferida não cicatrizada, 

Um tédio para superar 

E um medo para enfrentar. 

No final acabo me destruindo mais do que antes, 

Não sabendo como me recuperar, 

Com dores demais, 

Jogando para amanhã uma nova esperança, 

Mas o amanhã é igual o hoje e muito parecido com o ontem, 

Por isso vou cair e falhar de novo,

Serei novamente obrigado me levantar para cair, cair e cair,

Quando irei parar de me deparar com o abismo? 

As paixões me tomaram, 

Como uma febre da tarde, sou arrebatado por elas, 

Como uma peste, elas me tiram todas as forças 

E como um demônio elas me assombram nas madrugadas e noite. 

Preciso me reerguer, mas não sei como fazer, 

Preciso continuar, mas não sei por onde, 

Preciso lutar, mas estou nocauteado, 

Preciso caminhar, mas minhas pernas estão quebradas, 

Preciso tomar coragem, mas sou um covarde, 

Sou um cachorro sarnento que foi jogado na estrada,

Agora come direto do lixo e bebe água do esgoto, 

Só recebe os elogios, porque é bonzinho demais, 

A sua mansidão é muito mais medo do que bondade

E a sua bondade é só a fraqueza da sua pobre personalidade. 

Como pode existir coragem dentro da minha alma? 

Se eu, sim, eu! Temo apresentar a minha face para os meus amigos, 

Por que tenho poemas ruins? 

Por que não sou bom? 

Escrevo como pseudônimo não por amor à arte, mas com medo de revelar quem sou, 

Medo de me revelar por completo, 

Medo de dizer quem sou de verdade,

Medo de dizer para mim quem sou,

O que faço e escrevo, 

O que penso e sinto,

O que acredito e desacedito,  

O que gosto e renego

O que sei e não sei. 

Como um ator, 

Uso meu pseudônimo e escrevo os meus poemas,

Saio do palco e tiro a máscara, 

Troco a minha roupa e vou ser outra pessoa, 

Vou ser eu, o que sou no dia-a-dia, 

Mas não tenho certeza desses fatos, 

Ou talvez, seja o contrário, 

Eu esteja sem máscara diante do palco,

Com o coração pulsando e escrevendo, 

Sendo o que sou, 

Sem faces, sem intérpretes, 

Sem scripts, direção e produção, 

Apenas eu, 

Sendo eu,

Vivendo como eu, 

Pulsando como eu, 

E no fundo, o eu fora da arte,

Seja o falso eu, o que coloca a máscara, 

O que vai interpretar um personagem fora do palco 

E vai ser outra pessoa,

O cara que segue o script

E vai de acordo com a direção. 

Mas no final, eu não sei qual é a versão certa,

Quando estou usando a máscara e quando estou sem, 

Quando sou um personagem, 

E quando sou uma pessoa real. 

Esse é o meu degredo, 

O meu medo, 

A minha dúvida, 

O meu enigma,

A minha pedra de tropeço, 

A minha aflição ou possível cura, 

O paradoxo que vou resolver, 

A contradição que vou equilibrar 

E a pergunta da resposta que irei encontrar. 

 

Comentários2

  • Marcellus Augusto

    Quiserem me seguir no Instagram: marcellus.augustus_1530

  • Shmuel

    Que poema profundo, caro poeta.
    Abraços.



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