Corrupção silenciosa, pensamentos pessimistas que insistem em abrir uma janela sangrenta

Gustavo Almeida

 

Há uma inquietude que habita aqueles que sentem demais e pensam além do necessário. É a mente que não silencia, o coração que não descansa e a consciência que transforma o amanhã em ameaça. É querer compreender o sentido da vida enquanto o tempo passa sem pedir licença. Às vezes, não estamos cansados de viver, estamos exaustos de tentar encontrar respostas para tudo aquilo que sentimos.

 

No amor, a ansiedade é o medo disfarçado de expectativa. É desejar permanência em um mundo de incertezas, entregar a alma e ainda questionar se seremos suficientes. É sofrer por ausências que ainda não chegaram, criar despedidas antes dos encontros e procurar segurança em sentimentos que também são vulneráveis.

 

Existem frustrações que envelhecem dentro da alma. Sonhos interrompidos, esforços invisíveis, expectativas despedaçadas e caminhos que nunca se abriram. Dói perceber que nem sempre ser dedicado é suficiente, que nem toda entrega encontra reciprocidade e que algumas batalhas precisam ser vencidas sem que ninguém saiba que estamos lutando.

 

Talvez a maior angústia humana seja possuir uma infinidade de desejos dentro de uma existência tão limitada. Queremos controlar o tempo, antecipar o futuro, corrigir o passado e encontrar certezas onde só existem possibilidades. E, enquanto tentamos descobrir como viver, a vida acontece. No fim, talvez não seja a vida que esteja passando depressa demais, mas a nossa mente que não nos permite ha

bitá-la.



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