Éramos Tão Amigos...

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Seus olhos sempre sorriam pra mim...

Já não sei se ainda os vejo

da mesma maneira que antes,

nem sei se você mesmo se vê.

 

Evito olhar para ti e você para mim,

mesmo com tanto sentimento guardado,

não consigo evitar de sorrir pra ti.

 

Lembro do teu cabelo cacheado,

do cheiro dos cachos molhados,

da sensação de fingir senti-los só para tocar em ti.

 

O seu cheiro que ficou impregnado na minha blusa, sempre ficava.

Eu fingia odiar isso,

mas, em qualquer oportunidade, em seus braços me jogava,

você sempre me agarrava.

 

Lembro das conversas atravessadas, perturbadas;

muitas vezes, eu até ria ou chorava.

Não entendia como te odiava,

te amando tanto.

Éramos tão... amigos.

 

Eu amava tua esquisitice,

sua voz irritante cantando pra mim,

toda desafinada, só pra me fazer rir.

 

Amigo, amei o Ozzy por ti,

decorei suas músicas favoritas

e me apaixonei pelas suas paixões pra você se apaixonar por mim.

 

Nem sei se aconteceu,

mas eu também sentia...

Toda vez que você bagunçava meu cabelo,

falava besteira aos berros comigo,

seus ciúmes bobos,

seu jeito desajeitado de pedir pra ficar perto;

e eu te amava mais um pouquinho,

toda vez que a gente, de alguma forma inexplicável, se conectava.

A forma como me olhava às vezes

me paralisava.

 

Você me amava, além das palavras?

 

Toda vez que você falava de alguém,

eu ria e te escutava,

mas, no meu coração, eu te odiava.

 

Por que, afinal, a gente se afastou?

Você foi tão egoísta comigo,

logo eu, que amava sua vida com tanto fervor.

 

Ou talvez tenha sido eu,

tola de confundir uma amizade inteira

com esse tipo de amor.



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