Vivo cheio de palavras guardadas,
Mas nenhuma me pertence.
Já escrevi admiração e maldição..
Sobre quem amou e quem desprezou.
Elogiei a quem me apoiou,
Apaguei aqueles que me afundou.
Mas e eu?
Esqueci de me perdoar..
Rasguei meus dedos para não escrever,
Mordi meus lábios para evitar dizer..
Pensamentos sem descanso,
Uma culpa que não some.
Procuro palavras que me ajude,
Poema é uma confissão,
Mas parece que até meus versos
Me vê como um estranho.
Escrevo para se sentir compreendido
Ou para não me sentir solitário?
Tenho um Aurélio inteiro para procurar,
Mas não vejo definição em mim.
De tanto procurar explicação,
Já não sei quem sou quando as folhas se rasgam.
Quando no escrever amanhã...
Ainda existirei longe das páginas
Tentando achar alguma redenção.

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