Entre a Vida e a Morte

Ricardo Maria Louro



Cheguei à vida em busca de um sentido,
e a morte, ao longe, já me acenava;
enquanto o tempo em mim se demorava,
eu caminhava, trêmulo e perdido.

No peito, um sonho antigo e comovido
guardava a luz que a noite me roubava;
e cada flor que em mim desabrochava
trazia o seu perfume já vencido.

Se a vida é chama breve sobre o chão,
a morte é sombra à espera do viajante,
que leva o nosso nome na escuridão.

E assim, entre o primeiro e o derradeiro,
vou sendo luz, memória e breve instante,
até perder-me no silêncio - por inteiro!

 

(Na foto, três são as únicas Almas que desejo rodearem o meu caixão, no dia do meu velório,  na escuridão de uma capela, totalmente vazia de gentes. Três Anjos iluminando o meu ataúde e os meus restos mortais na vespera de descerem à terra de onde nunca deveriam ter saido, ladeados de cirios.  Não quero nada mais, não quero ninguem mais ...
Aí estarei enfim cumprido!)



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