-cidium

Corvinoide

Encarando-me o fundo dos olhos, me disse:
Aquele ipê, fora, no jardim, por que não o cortas?
Prístina árvore que tudo já viu, que tudo já chorou.
Por que não a ceifas? Deixas quieta, curvando em agonia,
relembrando os dias onde ainda ouvia a doce sinfonia,
dos pintores, dos musicistas e das grandes poesias.
Seu caule tortuoso, desonesto e incomum, ainda sofre.

Por que a derrubaria? rebati.
Olhei no fundo dos meus olhos e me voltei-me à janela.
Ali estava, a bela árvore retorcida, caída e tristonha,
contando o passado com seus anos de insônia.
A serena noite abraçava suas folhas roxas e secas,
vestígios de uma era antiga, quase esquecida.
Terá sido um dia vibrante? terá sido um dia garrida?

Nós não sabemos, nem saberemos.
Esqueçamos então tal árvore elegante,
voltemos à nossa cama,
talvez em sonhos cresceremos.

  • Autor: Corvinoide (Offline Offline)
  • Publicado: 6 de novembro de 2026 14:49
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3
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