Talvez uma festa.
Sinto o mundo girando,
a gravidade me puxando para o abismo,
pensamentos como agulhas na mente,
olho embaçado, a visão turva e irreal,
o quarto rodando a me torturar,
coração pesado como pedra,
acho que quero chorar, gritar, sumir...
Eu queria poder ir...
Eu queria ser igual a todos, sorrir sem dor,
dançar sem medo, amar sem receio–
mas por quê eu não posso ser?
Eu queria ter alguém, uma âncora,
alguém que me levasse pra um lugar seguro,
longe da tempestade que assola minha alma,
eu queria ter a coragem de entrar naquela festa,
de me perder na multidão, de sentir o calor humano,
eu queria poder sentar e rir do lado de alguém...
e ter a certeza de que não estou sozinho.
Mas eu não compreendo...
Por que o mundo é um quebra-cabeça sem solução?
Por que as peças não se encaixam?
Meu estômago se contorce em um nó de angústia,
quero me enrolar em um casulo, me proteger do mundo...
Minha garganta se fecha, um nó que me impede de respirar,
o ar se torna denso, sufocante,
meu peito pesa toneladas, esmagando minhas costelas...
a cada instante, a dor se intensifica...
Por que eu penso nisso?
Por que a comparação me corrói por dentro?
Por que não consigo me libertar dessa prisão?
O que eu tenho de diferente? Uma maldição?
Eu não sei...
Cada passo é um descompasso, uma nota dissonante na sinfonia da vida,
cada pensamento é uma tempestade em meu cérebro,
único, sim, mas também destrutivo, implacável.
É tão confuso,
as perguntas ecoam sem resposta,
e a inquietude me consome, me impede de encontrar a paz...
Por que?
Por que nasci assim, com essa fardo nas costas?
Por que eu não consigo me mover, me libertar das amarras?
Por que eu tenho tanto medo de ficar SOZINHO?
De encarar o abismo sem ter ninguém para me dar a mão?
Eu fui sozinho a vida toda, aprendi a me virar,
a construir minhas próprias paredes, a me proteger do mundo,
eu não preciso de ninguém, essa é a minha armadura,
eu nunca precisei de alguém, eu sou forte, eu sou resiliente...
ninguém nunca olhou pra mim de verdade, nunca se importou...
Mas eu quero alguém, uma alma gêmea, um porto seguro,
um ombro amigo para chorar, uma mão para segurar,
Eu não entendo... a dualidade me dilacera,
Por que, por que é tão difícil encontrar um lugar no mundo?
Eu não sei, eu não sei, eu não sei...
As respostas se escondem nas sombras,
e a incerteza me paralisa...
É tudo tão...
avassalador, sufocante, desesperador...
Eu odeio me comparar, a inveja me corrói,
eu odeio as pessoas que parecem ter tudo,
que sorriem sem motivo, que vivem sem dor...
Será que eu nasci no lugar errado? Em um planeta hostil?
É isso...
Eu não pertenço a este lugar, eu sou um estranho no ninho,
É só eu juntar minhas economias, arrumar um emprego,
e me mudar para um lugar onde eu possa ser eu mesmo,
onde eu possa encontrar a paz, onde eu possa ser feliz.
Era isso que eu pensava,
enquanto a corda sussurrava promessas de alívio,
mas uma fagulha de esperança ainda queima em meu peito,
e me impede de ceder à escuridão...
Talvez, amanhã, o sol volte a brilhar.
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Autor:
Guilherme Sousa (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de novembro de 2026 16:43
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 4
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- Em coleções: Poemas.

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