Manual de Lubrificação para Escritores Ruins

Rebecca

 

Guardei debaixo dos cabelos
um alfinete de correspondências mortas,
esse silêncio de homem empalhado
que come os meus beijos.
A grande máquina engraxa os textos
com a saliva dos zumbis,
enquanto a alegria deles derrete
a hortelã barata do mercado.
Minha lucidez tem o preço
de um dente arrancado a frio.
Bato o pé na engrenagem
e escorro um mal-humor de aurora.
 
O computador morreu afogado
no copo onde bebo a minha insônia,
a mensagem não enviada
cresceu cacos de vidro na minha virilha.
Eles mastigam abobrinhas e sorrisos
com a precisão do relógio atrasado,
enquanto eu babo a ferrugem
de pensar no escuro do mundo.
O delírio é um vestido de veludo
que apertou nos meus ombros:
continuo gritando na sala de intrigas,
assustando os meus próprios demônios.



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