Os sonhos

Carla Jeane Rolim de castro

OS SONHOS

 

Sonhos são como vinho:

não envelhecem,

amadurecem.

 

Nossa adega é o coração,

onde guardamos, em silêncio,

garrafas de sonhos

de todas as idades.

 

Há sonhos de uma década,

que continuam intactos,

esperando apenas

o momento de serem abertos.

 

Há sonhos recentes,

novinhos em folha,

que acabaram de chegar

trazendo consigo

o perfume da esperança.

 

E há aqueles

que ainda nem chegaram,

mas que já têm lugar reservado

na prateleira do futuro.

 

O tempo pode passar.

Nós podemos envelhecer.

Os cabelos podem ganhar fios brancos,

as mãos podem carregar marcas da vida,

os passos podem ficar mais lentos...

 

Mas os sonhos, não.

 

Eles ficam mais bonitos

quando amadurecem dentro de nós.

 

Porque sonhar

é uma maneira de permanecer vivo.

 

Somos feitos de sonhos.

Movidos por eles.

Alimentados por eles.

 

É um sonho que faz alguém

vestir um jaleco branco

e querer ser médico.

 

É um sonho que leva outro

a defender vidas e direitos

atrás de uma mesa de advogado.

 

É um sonho que coloca um professor

diante de uma sala de aula

para transformar futuros.

 

É um sonho que faz alguém desejar

uma casa,

um carro,

um cargo público,

uma família,

uma vida melhor.

 

E também existe

o sonho aparentemente pequeno

de quem deseja apenas

ser poeta.

 

Mas quem disse

que um sonho precisa ser grande

aos olhos do mundo?

 

Às vezes,

ser poeta é carregar um universo

inteiro dentro do peito

e transformá-lo em palavras.

 

Por isso,

não deixe seus sonhos morrerem.

 

Guarde-os.

 

Cuide deles como quem cuida

de uma garrafa rara,

daquelas que o tempo não destrói,

apenas aprimora.

 

Porque enquanto houver sonho,

haverá esperança.

 

Enquanto houver esperança,

haverá caminho.

 

E enquanto o coração

ainda tiver espaço para sonhar,

nenhum de nós estará velho demais

para começar outra vez.

 

Afinal,

a vida pode até passar...

 

Mas os sonhos,

quando verdadeiros,

ficam cada vez melhores

com o tempo.



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