Pela primeira vez

Metamorfose

E tu voltaste, eu pensei que demorarias,  

Que o silêncio por mais tempo permaneceria.  

Mas retornaste como quem nada deixou,  

Como se ontem mesmo nossa conversa terminou.

 

Voltaste sem receio, sem qualquer explicação,  

Como quem não carrega ausências nem contradição.  

Como se nada houvesse ficado pelo caminho,  

Como se o ontem não tivesse sido tão sozinho.

 

E, confesso, não sei por que imaginei  

Que um pedido de desculpas encontraria, esperei.  

Mas tu não me deves nada, disso bem sei,  

Talvez tenha sido eu quem demais esperei.

 

Pela primeira vez, não houve ansiedade,  

Nem aquela antiga e inquieta vontade.  

Vi tua mensagem na tela aparecer,  

Mas não senti urgência alguma em responder.

 

Nem sequer abri a conversa,  

Nem me apressei em buscar uma resposta.  

Pela primeira vez, agi como tu,  

Sem correr ao encontro de uma mensagem que surgiu.

 

E não te culpo, não há acusação,  

Não responder também é uma manifestação.  

Quando não há interesse, não há obrigação;  

Às vezes, o silêncio é a mais sincera decisão.

  • Autor: Metamorfose (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 5 de novembro de 2026 01:25
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.