Aguar-se

Garotameiodoce

Sei que tenho te calado, me perdoe.

Há poucos dias, quiseste falar de amor,

Eu, receosa, não fui escrever.

Hoje você tomou sol na sacada, passou um bom café, e ao tomar banho pensou pela pele a poesia de aguar-se.

Eu, pouco afim de mergulhar, calei.

 

Não tenho sido uma boa amiga ouvinte.

Uma péssima gestante de mim e do mundo.

Sempre sem saber medir quantas escritas mentais posso ignorar ou não.

Tenho então acumulado pendências líricas existências desde a infância.

 

A própria experiência para a escrita engole a escrita.

 

Me pergunto quantas de mim eu neguei existência, ao interromper o crescimento dentro dos meus ovários mentais.

Deixando de viver ao meu modo, pouco afim do mergulho no coração, coração de infinitas v(e)ias destinadas as palavras.

  • Autor: Sol (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 4 de novembro de 2026 20:36
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 4
  • Usuários favoritos deste poema: Morlock, Ayalah Verônica Berg


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