Teu sabor atrevido
pousa onde ninguém ousou tocar,
abre veredas tépidas na minha pele
e me faz, inteira, estremecer e florar.
Escorre pelos vãos do meu querer secreto,
teimoso como orvalho na alvorada,
e tua urgência se derrama em mim
igual promessa há tanto tempo adiada.
Meu corpo é vela que tua voz incendeia,
chama trêmula que só tu sabes guiar,
e a tua respiração, veludo morno,
me cobre, me acalenta, me faz voar.
Reges em mim a música escondida,
dedilhando o compasso do meu arfar,
cada toque uma clave de prazer antigo
que só a tua boca aprendeu a decifrar.
Teu afago é artesão da madrugada,
molda minhas curvas com zelo e demora,
generoso na pausa que me faz suplicar,
sábio no instante em que o gozo aflora.
Mergulhas-me no teu rio ardente,
caudal de mel que não conhece margem,
e eu me aqueço nessa enchente doce
que me arrasta sem pedir passagem.
Vem explorar as grutas do meu segredo,
atraca teu desejo no meu cais molhado,
colhe no jardim da minha pele viva
o botão guardado para o teu agrado.
Que a noite seja nosso esconderijo,
testemunha quieta do que ferve e flui,
e que o sol, ao espreitar pela janela,
nos ache ainda acesos — eu em ti, tu em mim.
Cléia Fialho
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Autor:
Cléia Fialho (
Offline) - Publicado: 4 de novembro de 2026 19:54
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos

Offline)
Comentários1
UAL! Excelente texto.
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