O CUSTO DA LUCIDEZ

Morlock


Tema/Assunto para o Poema Mesclado:

Quando você permanece em silêncio por muito tempo, um tipo de silêncio muito particular começa a se desenvolver dentro de você. Não é um silêncio vazio. É um silêncio pesado, como uma carta de amor não enviada que você carrega no bolso por anos.




O CUSTO DA LUCIDEZ


Boca calada cria raízes de chumbo
na garganta, um volume morto
que pesa no bolso das décadas.
A máquina do mundo gira
e lubrifica os dentes,
enquanto o progresso
vende a alma em cotas diárias.
Somos barulhos organizados
por mentiras, algoritmos e planilhas,
monumentos ao tédio
que aplaudem a própria falência.
Carrego esta carta de óxido
e asfixia no peito,
uma correspondência
que o correio do tempo recusa.
A lucidez é uma lâmpada acesa
num quarto vazio:
mostra apenas o peso
que acumulamos ao tentar ser modernos.
O mundo avança célere
sobre trilhos cegos,
e nós encalhamos na exata curva
onde a alma virou mercadoria.
por Morlock


Em cada pulso,
em cada emoção,
há muito de mim mesmo,
mas também um pouco dos outros.
Dodge Leal


Eu, que me achava tão lúcido,
agora converso com as conchas.
Eu, que me considerava tão sério,
agora me divirto com sons de peidos
e piadas sem graça e constrangedoras.
Eu, que me achava tão inteligente,
agora percebo o quanto sou ignorante.
Eu, que me considerava o mais honesto,
agora sei que sou arrogante e hipócrita.
( Pacificador )


No pavor que se instala,
um peso cresce, como um grito
de palavras que nunca foram ditas,
um curto-circuito de ideias
onde a razão se apaga,
e cada canto é um silêncio abafado.
Carrego essa mensagem não enviada,
digitalizada pelo tempo,
um testemunho daquilo que não ousamos
declarar ao mundo,
como se a verdade se tornasse
um crime,
um futuro que se petrifica
nas entranhas da espera.
E assim, no fundo desse inferno,
o chão da certeza desaba,
e o passado colide
contra tudo o que não sei ser.
A cada instante, a lucidez me fere,
revela a fragilidade do que sou,
um ser que busca, em vão,
o alívio de um desabafo,
mas encontra apenas
o peso do que não se diz,
a beleza amarga de um coração
que pulsa em meio ao ruído de mentira.
[ BellaSelva ]

  • Autores: Morlock, Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, Pacificador, BellaSelva
  • Visível: Todos os versos
  • Publicado: 4 de novembro de 2026 10:45
  • Limite: 3 días (Termina em 7/11 10:45)
  • Convidados: Público (qualquer usuário pode participar)
  • Comentário do autor sobre o poema: Por favor, respeite o formato da estrofe.
  • Categoria: Não classificado
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