A anatomia da culpa
Durante tanto tempo,
Fiz de mim um grande tribunal,
E, com suas malditas palavras,
Minha própria sentença.
Era irônico
Ver como sua versão dos acontecimentos
Sempre se sobressaía à minha.
Minha mente se tornou algo suspeito,
Minhas certezas,
Minha própria consciência parecia testemunhar contra mim.
Havia uma estranha repetição:
Sempre que você me apontava uma insegurança minha,
Eu me desculpava.
Mas...
Por que eu me desculpava?
As feridas...
Não importava a origem,
Eu sempre encontrava uma maneira de jogar a culpa sobre mim.
E, em uma noite,
Eu percebi as pequenas incongruências.
As palavras que você negava ter dito,
As promessas infelizes e incompletas,
As lembranças falsas
Que, convenientemente,
Pareciam pertencer à minha cabeça.
Diga-me: em que momento
Eu me entreguei à sua submissão?
Quantas vezes eu me desfiz para preservar você?
A sua "INOCÊNCIA"?
ME DIZ?
QUANTAS VERSÕES DE MIM PRECISEI ENTERRAR PARA QUE A "SUA" PERMANECESSE INTACTA?
Hoje,
Já não sei quem eu conheço.
Mas começo a reconhecer
O que "eu" me tornei ao seu lado.
E talvez
Essa seja a descoberta mais amarga:
Não perdi minha voz uma só vez.
Não perdi minha vontade uma só vez,
Não perdi a coragem uma só vez,
Apenas me acostumei a pedir permissão para utilizá-las.
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Autor:
Guilherme Sousa (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 4 de novembro de 2026 08:27
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
- Em coleções: Poemas.

Offline)
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