Eles queriam nossa morte,
Nós queríamos viver,
Eles queriam nossas vidas,
Nós lutaríamos por elas.
-
Eles escolheram os lucros,
Nós decidimos lutar,
Eles criavam prisões,
Nós demolíamos celas.
-
Eles queriam o poder,
Nós queríamos pra todos,
Eles construíam muros,
Nós levantamos pontes.
-
Eles quiseram tudo,
Nós quisemos o justo,
Eles se agarraram às grades,
Nós, nos tornamos horizontes.
-
[Michel F.M.]
Não foi com espada nem canhão
de fogo que a vida se levantou
Naquele dia.
Foi com um suspirou que
voltou ao peito,
um passo que hesitou,
mas não parou.
A morte batia à porta,
quieta e fria,
dizendo que ali era o
fim de tudo. Mas a vida sussurrou:
- Ainda não, tenho histórias
que ainda não contei.
Cada manhã que abrimos os olhos
é uma vitória que ninguém
nos pode roubar.
Cada sorriso que
conseguimos dar,
mesmo com lágrimas no olhar
é resistência.
A batalha não é contra
o que se foi,
mas pelo que ainda
pode florescer.
Porque viver é isso:
recusar o escuro, acender a luz
e dizer - estou aqui.
E quando a sombra tentar
voltar, lembra: você já venceu
uma vez.
E o Amor que mora no seu
coração é mais forte
que qualquer fim.
- Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Rosangela Rodrigues de Oliveira
- Visível: Todos os versos
- Publicado: 4 de novembro de 2026 05:56
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- Comentário do autor sobre o poema: O poema "A Batalha em Favor da Vida contra o Retorno da Morte Presencial", de autoria de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni), é uma obra de forte teor sociopolítico que utiliza uma estrutura binária marcante para construir um protesto e uma ode à resistência coletiva. Abaixo está uma análise detalhada dos principais aspectos do texto: 1. Contexto e Temática Central - O título e a classificação da obra (frequentemente associada a coletâneas como "Poesia Pandêmica") sugerem um cenário de crise sanitária ou social — muito possivelmente inspirado nos debates sobre o retorno obrigatório às atividades presenciais (como trabalho ou aulas) durante momentos de alta mortalidade. O tema central gira em torno da disputa entre a preservação da dignidade humana e a imposição de interesses econômicos ou institucionais. 2. A Estrutura Antitética ("Eles" vs. "Nós") - A principal engrenagem poética do texto é a antítese sistemática construída por meio do paralelismo entre a terceira pessoa do plural ("Eles") e a primeira pessoa do plural ("Nós"). Essa divisão estabelece dois blocos ideológicos e morais claros: • "Eles": Representam a opressão, o topo das estruturas de poder, o capital e o individualismo. Suas ações são pautadas por acumulação e controle. • "Nós": Representam a coletividade, a classe trabalhadora ou o povo, a solidariedade e a busca pela sobrevivência. Suas ações visam à libertação e à justiça. 3. Análise das Estrofes • Primeira Estrofe (A Sobrevivência): Abre o poema colocando em xeque o direito mais básico: a vida. Enquanto o lado opressor deseja a aniquilação física ou o esgotamento da existência do outro ("nossa morte", "nossas vidas"), o eu lírico responde com o desejo visceral de "viver" e a disposição para a autodefesa ("lutaríamos por elas"). • Segunda Estrofe (O Capital vs. A Liberdade): Introduz a motivação da opressão: os lucros. O texto denuncia a priorização do ganho financeiro em detrimento das vidas humanas. As "prisões" e "celas" funcionam como metáforas para o aprisionamento sistêmico, o qual o coletivo responde destruindo as amarras físicas ou sociais ("demolíamos celas"). • Terceira Estrofe (Poder Egocêntrico vs. Coletividade): Discute a governança. O desejo de centralização ("queriam o poder") é confrontado pela demanda da democracia real ("queríamos pra todos"). As dinâmicas espaciais reforçam o conflito: "Eles" criam barreiras de segregação ("muros"), enquanto "Nós" criamos conexões e diálogo ("pontes"). • Quarta Estrofe (A Expansão da Utopia): A conclusão eleva o tom filosófico. A ganância desmedida ("quiseram tudo") colide com o senso de equilíbrio comunitário ("o justo"). O desfecho traz imagens visuais potentes: os opressores terminam presos às suas próprias lógicas de confinamento e egoísmo ("se agarraram às grades"), enquanto o coletivo se liberta, expandindo-se em direção à infinitude e à esperança ("nos tornamos horizontes"). 4. Recursos Estilísticos e Ritmo • Paralelismo Sintático: A repetição exata da estrutura verbal (Eles queriam... / Nós queríamos...) confere ao poema um ritmo de marcha ou manifesto. Ele dita uma cadência firme, quase musical, que evoca o ritmo de um protesto ou de um hino de resistência. • Evolução dos Tempos Verbais: Há uma sutil transição do pretérito imperfeito (queriam, construíam), que denota uma ação contínua ou duradoura de opressão, para o pretérito perfeito (escolheram, quiseram, se agarraram), marcando as decisões definitivas do embate. Do lado do "Nós", o uso do futuro do pretérito (lutaríamos) indica prontidão, culminando no presente/passado imediato (nos tornamos), que consolida a transformação final. Conclusão - O poema é uma expressão direta de literatura engajada. Ele abdica de formalidades métricas complexas em prol de uma linguagem universal, direta e afiada. A obra cumpre o papel de registrar o sentimento de indignação frente a políticas que negligenciam a vida, transformando o sofrimento em um catalisador de esperança e união popular.
- Categoria: Reflexão
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- Em coleções: Zumbido Coletivo.
