O Tesouro das Calcinhas Furadas

Rosangela Rodrigues de Oliveira

Era uma vez uma caixinha de pano que morava no fundo de uma gaveta. Nela guardavam-se calcinhas que já não eram novas - algumas com um furinho aqui, um desfiado ali, uma que a elástica já estava cansada de tanto abraçar. Uma noite, quando a casa estava em silêncio, a mais velha delas suspirou: - Acho que vou ser jogada fora... já não sirvo mais. Mas uma calcinha nova, brilhante e sem nenhum fio solto falou com a caixinha: - Não diga isso! Você lembra quando a gente foi para a praia de Itanhaém? Quando a Rô estava feliz? Quando ela precisava de confortos nos dias difíceis? Você esteve lá. Você segurou os sonhos dela. E então todas começaram a contar suas histórias: - Eu fui usada no primeiro dia de um emprego novo! - Eu estive lá quando ela chorou e ninguém mais sabia. - Eu vi ela rir até doer a barriga.  O coração daquela calcinha furada se encheu de calor. Ela entendeu então: O valor de uma roupa não está em estar perfeita, mas em ter sido útil com Amor. Os furos não eram defeitos - eram marcas de quem vive de quem cumpriu sua missão.  No dia seguinte, em vez de ir para o lixo, elas foram transformadas em panos de limpeza, em retalhos para uma almofada nova, em algo que continuaria sendo útil.  Porque nada que foi feito com Amor deixa de ter valor.

 

Moral da História.  Assim é com a gente também.  Os novos "furos" - as nossas marcas, as nossas histórias- não nos tornam menos belas. Mostram apenas que estivemos aqui, que vivemos intensamente, e que ainda temos muito Amor para dar.

 

Rosangela Rodrigues de Oliveira 



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