MALDIÇÃO NO CAFÉ DA MANHÃ

Ayalah Verônica Berg

 

Tarde demais foi antes.
Sou: excesso que corrijo.
 
Meu cemitério está cheio.
Acorde. Não pergunte.
 
Não desanime.
O café está pronto.
A noite foi aquela farsa.
Eu pago as figurinhas.
 
Olhos: meu fogo falso.
Cabelos longos: dominem.
O plano é meu.
Botas de bruxa: tiro no escuro.
 
O vento avisa sem voz:
o limite não é nosso.
Preserve o indiferente.
Ou finja bem.
 
Rastros somem.
Memória trai.
Sorriso letal: aceite.
 
Aproxima-te.
O jardim sabe.
O pinheiro cala.
A maldição tem etiqueta.
 
O show não acaba.
A plateia tem palhaços.
 
Moeda no âmbar.
Sonhadora distante.
Sem paciência. Sem fofoca.
 
Meu humor é fruta madura.
Mordo sem pressa.
O rochedo volta.
Deixo esfriando.
 
A beleza me maquia.
O céu não cai: escurece.
A porta fica entreaberta.
O vazio não se explica.
 
Ele entra. Mostra a chave.
Eu sorrio.
 
 
Maldição no Café da Manhã
 de Ayalah Verônica Berg 

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 3 de novembro de 2026 18:23
  • Comentário do autor sobre o poema: "Pássaro mágico, arrasta aquele homem para a minha morada. / Assim como derreto esta cera com a ajuda da Deusa, / que assim derreta de amor Délfis de Mindo. / E como gira este círculo de bronze, movido por Afrodite, / que assim ele gire diante de minhas portas." Teócrito (Idílios, Idílio II — "As Feiticeiras") Século III a.C.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 11
  • Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Rebecca, Morlock, BellaSelva, Jorge E. Leal, Um bardo


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.