Cada lágrima que derramo me faz pensar que sou fraca. Mas, se sou tão fraca, como ainda consigo suportar tantas dores?
Às vezes, nem eu mesma entendo como cheguei até aqui. Passei tanto tempo tentando encontrar maneiras de silenciar meus pensamentos, de fugir das minhas próprias emoções, de esquecer aquilo que me machuca. Procurei conforto em lugares que nunca foram capazes de me acolher de verdade.
E pensar que, antes, eu tinha outras maneiras de esquecer o mundo.
Eu escrevia até meus dedos cansarem, pintava até perder a noção do tempo, andava de bicicleta até minhas pernas pedirem descanso. Assistia a filmes e séries até esquecer das horas. Eu encontrava refúgio nas pequenas coisas, naquilo que fazia meu coração se sentir vivo.
Mas onde foi parar aquela menina?
Talvez eu goste da minha aparência agora, mas sinto falta de quem eu era antes. Não porque fosse perfeita, mas porque parecia existir mais vida dentro de mim. Eu tinha sonhos, vontades, gostos e uma felicidade que não precisava ser fingida.
E agora?
Agora existe um vazio que nem mesmo a presença de outras pessoas consegue preencher. Posso estar rodeada de gente e, ainda assim, sentir que não tenho ninguém. Às vezes, me pergunto se tudo isso não passa de uma ilusão criada pela minha própria mente para me proteger da realidade.
E se as pessoas que considero verdadeiras não forem aquilo que imagino? E se aquilo que enxergo como perfeito esconder coisas que nunca consegui perceber?
São perguntas que me acompanham. Perguntas que aparecem nos momentos mais silenciosos e que, na maioria das vezes, não encontram respostas.
Também me pergunto: e se minha mãe realmente me conhecesse? Se soubesse de tudo aquilo que guardo, de todas as coisas que não consigo dizer, de todas as vezes em que precisei de acolhimento e não soube pedir, será que ainda me trataria da mesma maneira?
Quantas coisas seriam diferentes se alguém enxergasse aquilo que existe por trás do meu silêncio?
Eu só queria minha felicidade de volta. Mas não essa felicidade ensaiada, construída para que ninguém perceba que alguma coisa está errada. Quero aquela felicidade verdadeira, aquela que não precisava de motivos para existir.
Quero encontrar novamente a menina que deixei no passado, junto dos seus gostos, dos seus sonhos e das suas pequenas fantasias.
A menina que queria ser veterinária, que sonhava em se casar e ter um neném, que imaginava ter cinco profissões diferentes porque acreditava que o mundo era grande demais para escolher apenas uma.
A menina que tinha tantos sonhos que mal cabiam dentro dela.
Sinto saudade daquela criança. Sinto saudade de ser alguém que esperava tanto do futuro, em vez de ter medo dele.
E agora me pergunto: onde ela está?
Será que ainda guarda todos aqueles sonhos? Será que ainda gosta de pintar, escrever e andar de bicicleta? Será que ainda acredita que pode ser feliz?
Queria poder voltar até ela, sentar ao seu lado e dizer que sinto muito por ter me afastado tanto de quem éramos.
Queria buscá-la pela mão e trazê-la de volta.
Mas como faço para encontrar uma felicidade que parece ter ficado tão distante?
Como recupero uma versão de mim que talvez nem exista mais?
E se ela ainda estiver lá, esperando por mim?
Talvez eu não queira voltar a ser quem era. Talvez eu só queira voltar a sentir que estou viva.
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Autor:
Fragmentos de mim (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 3 de novembro de 2026 11:33
- Categoria: Não classificado
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