É árduo olvidar o que passou quando você ainda o habita
dissimular o presente quando ele lhe pertence
ou esquivar-se do porvir que parece ter sido reservado a você
É difícil recomeçar do zero quando o coloco à direita
Não é nossa primeira sina, tampouco a última
Eu o procuro
Você me procura
E os calos que trago nos pés
revelam a dança que o tempo não apagou
Restituímos aquilo que nunca chegou a começar
encerramos o que jamais encontrou termo
recomeçamos no mesmo ciclo
Despeço-me, jurando não voltar
mas estreito você nos braços
antes mesmo que a partida se consume
Brincamos com o fogo
quando somos feitos de papel
Deixamos a pele exposta
às queimaduras que provocamos
Você diz que desta vez me deixa partir
mas toma atalhos para cruzar meu caminho
antes que eu alcance o destino que me propus
Temos razões de sobra para nos encontrarmos outra vez
mas quanto mais você me ama, mais me afasta
e quanto mais me afasta, mais me pede para voltar
Decretamos um ultimato
prolongamos as cenas
adiamos o desenlace
E regressamos à nossa velha sina
entregamo-nos às chamas
quando somos feitos de papel
Nota de referência: TINI, De Papel (2025).
-
Autor:
felicity for now (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 3 de novembro de 2026 10:11
- Categoria: Amor
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: Pacificador

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.