Há mulheres que passam,
e há aquelas que ficam —
mesmo quando vão embora.
Você ficou.
Não sei se foi seu olhar,
o jeito quase inocente de provocar,
ou essa voz...
essa voz que não pede licença,
entra devagar
e desarruma tudo por dentro.
Minha pele, tão acostumada ao silêncio,
parece se lembrar de como arrepiar
quando você fala.
E eu desejo.
Desejo a proximidade,
o instante prolongado,
a possibilidade de chegar um pouco mais perto
sem ultrapassar a linha
que eu sei que existe.
Porque eu entendo até onde posso ir.
E talvez seja justamente isso
que torne tudo ainda mais perigoso.
Tenho a impressão de que você percebeu.
Percebeu no silêncio depois das suas palavras,
no olhar que demora um segundo a mais,
naquilo que eu tento esconder
e que talvez você goste de encontrar.
Então você brinca.
Joga comigo esse jogo sem regras,
aproxima, recua,
sorri como quem sabe exatamente
o estrago que está causando.
E eu, que costumo ter juízo,
me descubro perdendo-o aos poucos.
Talvez você nem saiba
o quanto mexe comigo.
Ou talvez saiba.
E, se souber,
esse seu sorriso será ainda mais perigoso.
Porque há desejos que não precisam ser realizados
para incendiarem a imaginação.
Basta uma voz.
A sua.
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Autor:
Lyvia Cruz (
Offline) - Publicado: 2 de novembro de 2026 09:45
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6
- Usuários favoritos deste poema: Apegaua, Morlock

Offline)
Comentários1
Nossa, se eu que nada tenho com a treta arrepiei.
Ficou fora de serie, a menina esta inspirada em.
Bravíssimo.
parabéns.
Apegaua
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