Nem todos
precisam errar,
para saber
que erraram.
Alguns reconhecem
a potencialidade
do erro,
muito antes
que ele ocorra.
Ou propositalmente,
seja cometido.
_____________
16/06/23
[Michel F.M. - Acumulador de Feitos Invisíveis - Trilogia Ensaio sobre a Distração - Vol. 1]
-
Autor:
Michel F.M. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 2 de novembro de 2026 06:45
- Comentário do autor sobre o poema: Este poema curto e reflexivo de Michel F.M. traz uma densa camada psicológica e existencial sobre a autopercepção e a intencionalidade humana. Aqui está uma análise detalhada da estrutura, temática e nuances da obra: 1. O Núcleo Temático: Antecipação e Agência - O poema desconstrói a ideia de que o erro é sempre um acidente ou uma surpresa. O eu lírico divide as pessoas em dois grupos face ao erro: aquelas que precisam da consequência prática para aprender e aquelas dotadas de uma sensibilidade hiperativa (ou analítica) capaz de prever o fracasso. • A "Potencialidade" do Erro: A palavra "potencialidade" é o cerne do poema. Ela transforma o erro em uma entidade viva, uma força latente. Quem tem essa percepção não vive na ignorância; vive na iminência do deslize. • O Erro Proposital (Autossabotagem ou Livre-Arbítrio): Os versos finais mudam drasticamente o tom. Ao introduzir o "propositalmente cometido", o autor sugere que o erro também pode ser uma escolha consciente. Pode ser um ato de rebeldia, uma busca por controle (errar sob os próprios termos) ou o ápice de um processo de autossabotagem. 2. Relação com o Título e Contexto - O poema ganha ainda mais profundidade quando lido sob a luz do seu título e metadados: • "Ensaio sobre a distração": Ironicamente, o poema não fala sobre estar distraído no sentido comum (esquecer as chaves ou tropeçar). A "distração" aqui parece ser um estado de dissociação ou desvio da norma. É o foco excessivo no que pode dar errado, gerando uma paralisia ou um desvio de rota intencional. • "Acumulador de Feitos Invisíveis": O subtítulo do autor dialoga perfeitamente com o texto. Prever um erro e evitá-lo (ou cometê-lo de propósito no plano mental) é um "feito invisível". Ninguém aplaude o desastre que você evitou ou calculou em silêncio. 3. Estrutura e Ritmo • Minimalismo: O poema utiliza versos curtíssimos e cortes abruptos (enjambements). Isso desacelera a leitura, forçando o leitor a ponderar cada palavra, mimetizando o próprio processo cerebral e calculista de quem "antecipa" o erro. • Isolamento: O verso "Alguns reconhecem" fica isolado no meio do poema. Esse destaque visual e rítmico enfatiza a raridade dessas pessoas que possuem essa percepção quase premonitória (ou obsessiva) sobre suas próprias falhas.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Apegaua
- Em coleções: Acumulador de Feitos Invisíveis.

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