Três vidas, três destinos, uma Alma

Ricardo Maria Louro

Três vidas, três destinos, uma Alma, 
três nomes que o tempo não levará, 
três luzes que me prendem, dão calma, 
três formas de amar que a morte jamais apagará. 

Clarisse, minha Avó, 
um porto de abrigo, 
muralha, baluarte, segredo
primeira a caminhar comigo, 
guardiã dos meus passos, alívio no medo...

Ao sofrer de tenra idade, 
meu escudo, meu colo, 
meu chão, 
ensinou-me o valor da lealdade 
e a força que vem  do coração.

Celeste, voz onde a saudade se fez ao cantar, 
foi silêncio na cauda de um verso, 
guitarra que me ensinou a sonhar.

Há destinos que se escrevem na garganta, 
há emoções que não cabem numa canção 
e há uma voz que mesmo quando se cala, continua a cantar no coração.

Maria Flávia, 
um caminho para o Céu, 
Estrela que me iluminou na escuridão, 
como se Deus, ao desenhar-me num papel, 
lhe entregasse a chave da minha redenção.

E se um dia a minha voz se perder do mundo 
e o meu nome se apagar na eternidade, 
levarei o vosso amor, 
tão puro e profundo, 
como a mais bela herança de saudade.

Três histórias, três destinos, três raízes 
que sustentam quem eu sou,
três estrelas a guiar os meus caminhos, 
três paredes onde a vida me espelhou.

Uma protegeu-me quando era pequenino, 
outra deu-me a voz à dor, 
a terceira revelou-me o divino 
que existe na mais pura forma de amor.

E se me perguntarem, 
um dia, quem fui, 
quando o tempo fechar 
a última janela, 
direi que fui aquele que construiu a sua Alma 
à sombra da Alma delas.

Porque um poeta não nasce só da escrita, 
nem se faz só de versos ou inspiração 
nasce do amor que a vida lhe acredita 
e daqueles  que lhe moldam o coração.

Clarisse, Celeste, Maria Flávia… 
Três nomes gravados no meu coração; 
três vidas, três destinos, três eternidades, 
mas uma só Alma… 
... e a minha gratidão!

Para:

Celeste Rodrigues

Clarisse Ramalho dos Reis 

Maria Flávia de Monsaraz  

 



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