Halloween: O jogo da imitação

Dimar M. S.

 

Coração de aço, suspiro religioso 
Pele cinza e olhar cortante
Olhos ensanguentados e garras d'águia 
Jamais entenderiam nossa mente oblíqua e as preces macabras
Tudo parece tão...estranho e mágico
A sombra do óbvio foge da nossa presença
O espelho da luxúria reflete nossos trapos
Nossa linhagem dispensa remorsos e medos
Hoje, serenamente, me atento aos passos do meu último gato, em seus últimos instantes
A poção do nosso encantamento terá sangue dessa criatura
Sangue, suor e magia
Cabana decorada de grimórios, velas, incensos e pergaminhos
Símbolos, espíritos e cânticos seculares
O fogo e a terra são véias da lua que testemunha a nossa bruxaria
Água e ar são pingentes da nossa fé
E portais para o nosso mundo
Não vassouras, tachos ou carrocerias 
Bruxaria não é festa e fantasias mundanas
Apenas consagramos a matéria entre mundos e polos 
Nós não somos contos, fantasmas e nostalgias
Somos identidades que vocês insistem em chamar de sombras e pesadelos
Bruxos, lobos, vampiros, elfos e piratas do real
Eis a nossa mística e mítica tradição
Moramos aqui e vivemos lá.

  • Autor: Filho do mar (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de novembro de 2026 17:23
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.