Dançar

Cora

    Linhas esvoaçantes que se cruzam, percorrem o meu céu tal qual pássaros jovens no começo de uma temporada. São cortantes. Encostam em mim e fazem o sangue dançar com elas; tudo rodopia, meu corpo flui aos cortes, se mexe com elas, em uma tentativa tormentosa de  cura. Não lembro o início nem o porquê— ou melhor, existe motivo para a dor?— apenas sei que dançava sem parar, em repleto desassossego. Meu corpo recuava, algo tinha de me paralisar, mas nada veio. 

    As linhas pararam de me lacerar pois, caí; lancei-me ao chão que nem sentia. Sangrei ainda mais, o vermelho entrou em meus olhos como uma nova realidade, gritava em agonia, sequer sabia se teria um fim, precisava que parasse, em tormento, soluçava.

    Dias ou meses se passaram—não conseguia ver ou sentir o tempo. O sangue secou, meu corpo curou, as linhas voaram em direção a um outro alguém. E eu, continuo vendo o vermelho.

  • Autor: Cora (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de outubro de 2026 20:47
  • Comentário do autor sobre o poema: Escrevi isso como um lembrete do que passei.
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 2
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