Destroços Restantes

werner

Há muito, livrei-me da distração,

Sem jamais desviar os olhos dos destroços.

Não ansiei senão a garoa, os invernos prematuros, o eclipse.

Não ousei transpor ao papel

Nenhuma grandiosidade da vida;

Transpus ao papel tão somente

A parcela miserável de uma boa vida.

Uma vida bem vivida,

Não há de ser contemplada.

 

Deixei com que meus hematomas inflamassem

Para, com prazer, medicar cada ferida.

Não concordo comigo,

Mas absolvo-me.

O desânimo recita versos de Poe em meu peito.

E continuo guiado por dialetos que não fui ensinado,

Escrevendo o que não ousei transpor,

Sem desviar os olhos do único

Sentimento que me restou.

  • Autor: werner (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de outubro de 2026 15:35
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 5


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