O Número 13 e o Número 7
Hoje apetece-me falar sobre superstições.
Há quem diga que o número 13 traz azar.
Bem, parece que é bom discordar:
o número 13 é o número da Última Ceia,
de Jesus e dos 12 apóstolos,
todos a cear na sala de jantar.
Como veem, é um bom número para recordar.
Temos de concordar!
É verdade que representa a morte,
mas mais do que isso, a metamorfose,
a quebra de velhos padrões,
a queda entre o ciclo estudantil e o profissional.
Para os maias, é considerado sagrado.
Muitos veem-no como passaporte para a liberdade.
Outros nunca tiveram essa sorte.
Por isso, chamam azar ao número 13.
Haverá quem se importe?
Acredita-se que virar o chinelo de cabeça para baixo
traz a morte da mãe.
Pois eu não acho!
Acho que o que traz morte à mãe
é ser boa demais.
Aliás, é fazer planos antes do tempo.
Pior: contar os planos a alguém
que achamos ser uma pessoa de bem.
Mas não, a família consegue ser pior que os de fora.
Falar dos nossos planos
é a pior morte que pode existir.
É a morte do artista.
Por isso digo: mãe, não me chames egoísta
por te querer bem como mais ninguém quer.
Mãe, sim, tu que és uma grande mulher!
Dizem que quebrar um espelho
traz sete anos de azar.
Acho que o azar tem de acontecer
quando tiver de acontecer,
na data e hora certas.
O espelho é que fica na merda!
Mas nós seguimos em frente,
com cancelamento ou não seguimos,
e conseguimos o que mais ninguém consegue:
fintar o azar,
fintar quem diz que é impossível ser feliz.
Quando pego num espelho,
não estou à espera que ele me caia das mãos.
Estou à espera de olhar para ele,
ver estranha beleza.
Será isso que parte o espelho?
Sendo isso ou não,
será que podemos chamar-lhe azar?
Vejamos:
eu parto um espelho porque sou menos bonito
ou mais feio?
Dá que pensar!
E que um gato preto é visto como bruxaria
por quem com ele se cruzar?
Gatos têm, sim, sabedoria,
e não dão confiança a qualquer um.
Dizem que trazem bruxaria,
e muitos questionam:
será que é por serem traiçoeiros?
Dizem já os humanos,
enquanto lhes passam a mão pelo pelo.
Pois hoje não vou passar a mão por pelo nenhum.
Hoje vou dizer a verdade
que não cabe no estreito de ninguém.
Gatos têm sete vidas!
Já vão dizer que o número sete é o número da sorte.
Nunca disse que não era,
mas não tenho ninguém que defenda o número treze,
que muitos chamam «treuze»
para não confundir com três.
Como se a minha mãe me estivesse a trocar o nome!
Pois sabe o que por trás ele esconde.
É isto a que me estou a referir:
o número 13 só pode ser o bobo da corte!
Porque não o onze?
Ou o número doze?
Ou, em último caso, o número catorze?
O número doze pode ser doze horas,
e em doze horas qualquer um pode morrer.
E em onze horas qualquer um pode morrer.
E em catorze horas tudo pode acontecer.
O número 13 é o número mal compreendido.
Porque, se calhar, numa segunda-feira está tudo certo,
mesmo que a segunda-feira seja o pior dia da semana.
Porque, se calhar, numa terça-feira está tudo certo,
porque ainda é muito cedo para terminar a semana.
Porque, se calhar, numa quarta-feira está tudo certo,
porque ainda estamos a meio da semana
e, claro, ainda vai correr muita tinta até lá.
Porque, se calhar, numa quinta-feira está tudo certo,
porque já faltou mais para chegarmos a que dia?
Àquele a que todos chamam dia do azar:
sexta-feira treze!
Aquele que era suposto ser o último dia da semana,
o último dia de trabalho.
E eu ainda me lembro de quando andava na escola:
para mim, a sexta-feira era tudo,
porque sabia que no dia a seguir ficava em casa,
porque sabia que, depois de sábado,
ficaria mais um outro dia em casa.
Mas não!
Ainda há quem maltrate o número 13,
dizendo que é uma cópia barata do número três.
Dizem eles que apenas se acrescenta o número um.
Claro, é muito igual!
Para vocês é tudo igual.
Nada banal!
Pois eu já fui o número 13 no meu nono ano.
E querem saber uma coisa?
Trouxe-me sorte, pois transitei de ano!
Mesmo com todos a dizer:
«Vais chumbar!»
Tiveste sorte!
Não, eu passei, sim,
mas não me deixei deslumbrar.
Acreditei, sim, pois tenho o direito de acreditar
que também fiz por merecer.
Agora dizerem que o número 13 dá azar
só por causa de uma maldita superstição?
Meus amigos,
quem vê caras não vê corações!
O sete é o dia do arco-íris.
E olhem que eu também já caí nessa canção.
Eu era tão... como é que se diz mesmo?
Inocente!
Acreditava que o arco-íris era símbolo de amor,
mas aquele amor entre homem e mulher.
Hoje vejo que é o contrário.
Quem havia de dizer
que olharia para um arco-íris
e iria ouvir «vai ficar tudo bem»?
E tudo por culpa de um vírus da China.
Afinal, qual é o número do azar?
Façam as vossas apostas.
Eu já fiz as minhas
e, se querem mesmo saber,
não poderiam estar mais certas.
Mas calma!
O número sete representa as sete notas musicais:
dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó.
Então, porque é que por vezes uma nota falha na flauta?
Porque falha e salta para a próxima nota?
Porque vos roubaram a flauta
e trocaram-na por uma pior!
Pior que uma cana rachada é impossível.
Qual voz de rouxinol...
Dizem que o sete está associado às sete maravilhas,
mas eu saio à rua e só vejo mulheres de sorriso rasgado.
Onde está a maravilha?
Nem uma, nem duas, nem três,
nem quatro, nem cinco, nem seis, nem sete!
Ao contrário, beleza,
mas um cérebro do tamanho de uma ervilha.
Bem, com isto quero dizer
que o número sete não me aquece nem me arrefece.
Ele sabe bem com quem se mete.
Número 13, atenção:
não és nenhum Android,
mas bates forte cá dentro!
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Autor:
JOHNNY11 (
Offline) - Publicado: 31 de outubro de 2026 13:50
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 6
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.

Offline)
Comentários2
Fiquei sem fôlego com a profundidade desses versos. Arte em forma de texto!
obrigado caro poeta!
Verdade! O número 13 é bom! Não traz azar! É o 22 que dá kkkk! Brincadeiras à parte, bom poema!
obrigado caro poeta!
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