Poema: Sobrinho do Diabo

Gino, Sinvaldo de Souza

Poema: Sobrinho do Diabo

 

Nas sombras de um reino antigo,

O pai ensina o herdeiro:

"Não force o maior perigo,

Nem tente o combate inteiro.

O mestre do céu é forte,

Vença-o mudando a sorte."

 

"Seu plano não tem espada,

A força de Deus é o raio.

Na mente mais descuida,

É onde preparo o ensaio.

Um sopro de vaidade

Derruba a própria verdade."

 

"Se Ele ditar a regra,

Conceda um favor pequeno.

A alma que se alegra,

Bebendo o sutil veneno,

Caminha por conta própria

Desfeita de sua glória."

 

"O erro não nasce grande,

Começa em um meio-termo.

Até que o pecado mande

O homem ao próprio ermo.

Disfrace o pior desejo

No brilho de um bafejo."

 

"Use a capa do cordeiro,

Finja escutar o lamento.

Seja o sutil parceiro

Na hora do sofrimento.

A dúvida que se instala

É a voz que o Criador cala."

 

O jovem ouviu atento

A voz do antigo mestre.

Guardou todo o ensinamento

Pra sua missão terrestre:

"A astúcia destrói o altar,

Sem nunca o céu desafiar."

  • Autor: GINO (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de outubro de 2026 12:17
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.
Comentários +

Comentários1

  • Michel F.M.

    Uma leitura tocante que desperta uma reflexão linda. Parabéns pela sensibilidade!



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