Outra história para contar

Nox Calvarie

Ponteiro que bate, como bate, no pêndulo da vida
Ele continua, mesmo que você discorde, mesmo que eu não concorde
Sol quente, dias tragados de letargia, que sintoma, que arritmia 
Feitos para o dia, mas vivemos durante a noite, durante a meia noite e madrugada 

Oito anos e já vivíamos na rua, com os pés descalços e cheio de areia 
Dinheiro fora de cogitação, que situação, sem drama ou ação 
Não tive festa de aniversário, família simples com dois irmãos 
Nada a reclamar, mas a vida sempre foi dura para nós 

Dois quartos, algumas paredes, centelhas de festa junina 
Nunca ousando pedir mais do que ganhava, durante a adolescência seguiu sendo o mesmo
Adaptação, quando cansado deixava para chorar durante o banho
Ninguém quer sentir sua fraqueza, então ande para frente

E o que a vida tirou, o melhor amigo que tinha 
Anos e anos sumiram, já pensou em ter um tumor no cérebro?
Erros cometidos, erros cometidos, eu não sei se eu continuei o mesmo
Rezo para Deus, vivendo pela noite, espero que eu não morra cedo 

Apenas uma sombra, eu vejo a história se repetir e não consigo deixar a tristeza para lá 
Ainda lembro do soco no estômago, das brigas, dos hematomas, ainda lembro de cada cicatriz do tempo
Sem ter o que perder, sem ter o que ganhar, faz parte e nenhum de nós pode evitar 
Somos apenas a passagem, apenas uma pintura, outra história para contar...



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.