Sou a pessoa mais sortuda possível,
tenho boas companhias, tenho consternações e pavores:
Vivo num mundo imprevisível, e posso jurar sentir pudores.
E ainda que me limite viver num cofre,
Sei que a fechadura do mesmo já se desfez com amores.
Sou uma das pessoas que menos sofre,
e ainda assim visto-me cheio de dores.
Quero ser rei e sábio. Quero ser Deus e o Diabo.
Quero ser cabrão e desesperado. Quero ser feliz e angustiado.
Para não ter de me perder no meu medo de ser esquecido,
Quero ser tudo, e eventualmente, quiçá alguém de mim foi lembrado.
Podia ser a criatura divina mais preciosa que o universo já viu,
até podia ser um querubim imaculado aos olhos indignos das pessoas,
e assim finalmente seria imortalizado pelas minhas falsidades,
seria finalmente tido como memória perfeita, fora de qualquer verdade que não quis ser aceita.
Por fim, dentro de entranhas e indefesas mentiras bêbadas de vergonha,
Admito, somente quero ter um lugar onde não sinta falta da minha fronha
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Autor:
Joana Cândida (
Offline) - Publicado: 29 de outubro de 2026 21:37
- Comentário do autor sobre o poema: Admito sentir algum embaraço, visto que este é o primeiro poema que estou a publicar. Espero que possa ressonar com alguém, de alguma maneira; é me indiferente como.
- Categoria: Não classificado
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- Usuários favoritos deste poema: Da Silva Guilherme

Offline)
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