Placas de ferro

Nox Calvarie

Memórias solitárias, placas de ferro penduradas no pescoço 
Levo o nome daqueles que se foram, daqueles que foram esquecidos 
Consigo ver por dentro dos seus olhos, se debatem e se revoltam
O coração é terra que ninguém anda, nunca foi possível conhecer alguém por inteiro 

Me traga de volta, porque eu não consigo respirar 
Me acorde de novo, porque eu não consigo sair daqui 
Meu nome, não se esqueça daquilo que eu sou
Me faça voltar, como um morto-vivo eu continuo caminhando sem rumo 

Nessa terra de fantasias, ninguém realmente é de verdade 
Eu sempre soube disso, mesmo assim, eu ainda tinha esperança 
Tateando as paredes, me escondendo dos monstros, entre as trincheiras e balas perdidas 
Correm da luz, vultos, sussurros, continuam chamando meu nome 

Me puxe de volta, porque eu não consigo te ver 
Me faça vomitar, porque eu estou tragado na culpa
Me faça sangrar, porque eu não consigo sentir a minha dor 
Me faça ter o coração quebrado, para que eu venha a conhecer quem você é

Sinalizador para o alto, o vermelho passando pelo céu 
No meio do vale vazio, não adiantaria correr toda a floresta 
Eu te vejo do outro lado, estou levando o nome dos esquecidos 
De cada uma daquelas lápides, de cada uma daquelas crianças, de cada inocente da guerra...



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