A DOR

Mariana Oliveira Fernandes

A dor de achar a cor,

A cor da negra pele de sua avó bonita,

E ela repreender seu elogio,

Por que alguém colocou,

Colocou em sua mente,

Que es feia e indesejada;

 

A dor que me colocaram,

Quando a branca destilou ódio,

Ódio sobre meu cabelo,

Cabelo esse que era idêntico ao dela;

 

A dor de sentir os olhares,

Olhares que te fuzilam,

E temem que iras roubar,

Mas eu só queria comprar algo;

 

A dor de ver aquela que tem,

Tem mais cor que a mim,

Zombando de mim,

Na aula de racismo;

 

A dor do racismo interno que ronda,

Ronda meus pensamentos,

E me auto mutilam,

Para me encaixar,

Me encaixar em um padrão que me impuseram;

 

 

 

A dor de não se aceitar

De se achar horrível só por ser negra

De saber que a luta,

Luta sobre me aceitar,

É uma luta que parece não ter fim;

 

A dor de saber que já evoluímos muito,

Comparado aos nossos antepassados,

Mas ainda a desprezo,

Ainda há dor

Ainda tentamos agir como brancos;

 

A dor e peso de nos sentimos inferiores,

Veio das chicotadas

Chicotadas que, meu senhor,

Marcava minhas costas,

Como se eu fosse um animal,

Sem dignidade alguma;

 

A dor das mulheres sendo abusadas,

Abusadas pelos seus senhores,

E filhos mestiços que carregavam,

E carregam ainda mais dor;

 

O peso que o racismo colocou,

Colocou sobre os meus antepassados,

E coloca sobre as gerações futuras,

Será se esse peso,

Será essa dor,

Um dia terá fim?

  • Autor: Mariana Oliveira Fernandes (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de outubro de 2026 21:05
  • Comentário do autor sobre o poema: Esse poema traz vivencias que me ocorreram durante a minha vida como negra, infelizmente passamos por coisas que não deveríamos, pois estamos em uma sociedade que é estruturalmente racista. Gostaria de partilhar minha dor pois sei que muitos passam por isso.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2
  • Em coleções: racismo.


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