A dor de achar a cor,
A cor da negra pele de sua avó bonita,
E ela repreender seu elogio,
Por que alguém colocou,
Colocou em sua mente,
Que es feia e indesejada;
A dor que me colocaram,
Quando a branca destilou ódio,
Ódio sobre meu cabelo,
Cabelo esse que era idêntico ao dela;
A dor de sentir os olhares,
Olhares que te fuzilam,
E temem que iras roubar,
Mas eu só queria comprar algo;
A dor de ver aquela que tem,
Tem mais cor que a mim,
Zombando de mim,
Na aula de racismo;
A dor do racismo interno que ronda,
Ronda meus pensamentos,
E me auto mutilam,
Para me encaixar,
Me encaixar em um padrão que me impuseram;
A dor de não se aceitar
De se achar horrível só por ser negra
De saber que a luta,
Luta sobre me aceitar,
É uma luta que parece não ter fim;
A dor de saber que já evoluímos muito,
Comparado aos nossos antepassados,
Mas ainda a desprezo,
Ainda há dor
Ainda tentamos agir como brancos;
A dor e peso de nos sentimos inferiores,
Veio das chicotadas
Chicotadas que, meu senhor,
Marcava minhas costas,
Como se eu fosse um animal,
Sem dignidade alguma;
A dor das mulheres sendo abusadas,
Abusadas pelos seus senhores,
E filhos mestiços que carregavam,
E carregam ainda mais dor;
O peso que o racismo colocou,
Colocou sobre os meus antepassados,
E coloca sobre as gerações futuras,
Será se esse peso,
Será essa dor,
Um dia terá fim?
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Autor:
Mariana Oliveira Fernandes (
Offline) - Publicado: 28 de outubro de 2026 21:05
- Comentário do autor sobre o poema: Esse poema traz vivencias que me ocorreram durante a minha vida como negra, infelizmente passamos por coisas que não deveríamos, pois estamos em uma sociedade que é estruturalmente racista. Gostaria de partilhar minha dor pois sei que muitos passam por isso.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2
- Em coleções: racismo.

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