Desde a Última Pessoa

Pietro Guilherme Piazera



Desde a última pessoa,

Alguma coisa em mi, se apagou.

Não sei se foi o amor, a esperança

Ou a parte de mim que um dia acreditou.

 

Antes, eu gostava de conhecer sorrisos,

De descobrir histórias, de me aproximar.

Hoje, até a ideia de alguém novo

Me faz querer ficar no meu lugar.

 

Não é que eu queira ser amado,

Nem que tenha esquecido como sentir.

É que, depois de tanto ser machucado,

Até o coração tem medo de se abrir.

 

A última pessoa deixou marcas 

Que o tempo ainda não conseguiu levar.

Foi embora da minha vida,

Mas deixou tanta coisa que nem sei por onde começar.

 

E o pior é que ninguém vê

O estrago depois do fim.

Eu continuo vivendo, conversando, sorrindo,

Mas já não me sinto inteiro dentro de mim.

 

As noites são sempre longas 

Quando o silêncio resolve falar.

Deito o corpo, fecho os olhos,

Mas a mente não me deixa descansar.

 

Fico preso em pensamentos que não quero,

Em lembranças que queria esquecer,

Tentando entender como alguém me fez tão mal

Ainda consegue tirar meu sono sem sequer me ver.

 

E, sinceramente , eu me cansei.

Cansei de criar laços com medo de perder,

De conhecer alguém já pensando no fim,

De sentir que amar é dar a alguém 

O poder de destruir o que existe em mim.

 

Hoje, quando alguém se aproxima,

Meu primeiro impulso é me afastar.

Não porque essa pessoa tenha culpa,

Mas porque eu já não sei se consigo arriscar.

 

Eu perdi a vontade de conhecer alguém de novo

Porque ainda estou tentando me reconhecer.

Depois de tanto me perder em outra pessoa,

Estou aprendendo, aos poucos, a não me esquecer.

 

Talvez eu não tenha perdido sentimentos,

Talvez só os tenha escondido para sobreviver.

Talvez meu coração não tenha deixado de amar,

Apenas tenha medo de sentir tudo outra vez.

 

Mas existe uma tristeza que ninguém entende:

A de sentir falta de quem você era antes de alguém chegar.

A de querer voltar a ser leve,

Mas não saber como se livrar 

Do peso que outra pessoa deixou no seu olhar.

 

E, por enquanto, eu não quero promessas,

 Nem novos começos, nem alguém pra chamar de amor.

Quero apenas uma noite tranquila,

Um sono sem lembranças,

Uma manhã sem dor.

 

Porque, depois da última pessoa,

O que mais desejo não é encontrar alguém.

É conseguir deitar a cabeça no travesseiro,
E, finalmente, dormir em paz.

 

Sem viver o que me feriu.

Sem sentir saudade do que me destruiu.

Sem precisar lutar contra pensamentos 

De um passado que ainda não aprtiu.

 

Pois, no fundo, não foi só alguém que eu perdi.

foi a minha vontade de tentar outra vez.

E, desde então, todas as noites parecem perguntar

Se um dia voltarei a ser quem eu era

Antes de conhecer você.

 

Pietro Guilherme Piazera

Joinville-SC

 

  • Autor: O Químico da poesia (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 25 de outubro de 2026 15:00
  • Comentário do autor sobre o poema: No fundo, sinto falta de quem eu era antes de tudo isso. Sinto falta de conseguir dormir sem pensar demais, De confiar sem medo e de imaginar um futuro Com alguém sem pensar na possibilidade de sofrer.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 6
  • Usuários favoritos deste poema: Morlock, Ayalah Verônica Berg


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