Para todos que eu amo,
eu deixo estas palavras, não meu fim.
Talvez vocês nunca tenham entendido
o tamanho do mundo que existia em mim.
Eu fui forte o quanto pude,
até quando ser forte me cansou.
Carreguei tempestades no peito
e ainda ofereci abrigo a quem chegou.
Eu ri quando queria silêncio,
disse “tô bem” sem estar tão bem.
Porque às vezes a gente vira colo
quando precisava de colo também.
Eu tentei.
E como tentei.
Tentei ser luz nos dias escuros,
ser certeza quando tudo era talvez,
juntar meus próprios pedaços
e começar de novo outra vez.
Mas, por favor, guardem de mim
muito mais que meus dias ruins.
Guardem minhas risadas exageradas,
minhas histórias mal contadas,
as conversas que não tinham fim.
Guardem os momentos mais idiotas,
as fotos feias, as piadas sem graça,
os abraços que demoraram segundos
mas que até hoje o tempo não apaga.
Porque eu amei vocês com força.
Com uma força que nem sei explicar.
Daquelas que fazem alguém permanecer
mesmo quando é difícil continuar.
Se eu fui complicada, me perdoem.
Se eu errei, eu estava aprendendo também.
Eu nunca soube viver perfeitamente,
só tentei amar perfeitamente alguém.
E talvez essa seja a parte mais pesada:
vocês conheceram meu sorriso,
mas nem sempre conheceram minha guerra.
Viram meus passos sobre o caminho,
sem saber quantas vezes minhas pernas
quase desistiram da estrada.
Ainda assim, eu caminhei.
Por vocês.
Por mim.
Pelo amanhã que eu ainda queria conhecer.
Pelas coisas que ainda queria viver,
pelos lugares que ainda queria ver.
Então deixem as memórias ficarem.
Deixem ficar meu riso em alguma fotografia,
meu nome perdido numa conversa antiga,
uma frase minha que alguém ainda repita,
uma música que faça lembrar de algum dia.
Porque somos feitos disso:
de pequenos pedaços uns dos outros.
E vocês estão em mim.
Em cada versão que já fui,
em cada tombo que atravessei,
em cada vez que achei que não dava
e, mesmo tremendo, continuei.
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Autor:
Mima (
Offline) - Publicado: 24 de outubro de 2026 17:41
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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