Uma resposta que ainda não conheço

Metamorfose

É estranho gostar de alguém
cujos olhos ainda não encontrei,
sentir que alguma coisa se move em mim
por alguém que nunca abracei.

E, no entanto, gosto de ti.

Gosto da tua voz,
desse riso que parece nascer sem esforço,
da inteligência com que percorres as palavras,
da leveza com que pareces habitar o mundo.

Gosto dos teus olhos castanhos,
embora ainda não saiba
como será encontrá-los de perto.

Talvez seja essa a parte que me inquieta:
já existe em mim um sentimento por ti,
mas ainda não existe uma lembrança
do teu rosto diante do meu.

Não conheço o silêncio dos teus olhos,
nem o que acontece quando duas pessoas
deixam de ser vozes
e passam a dividir o mesmo instante.

E eu queria que o tempo fosse uma resposta,
porque há qualquer coisa em ti
que me faz desejar o que ainda não aconteceu.

Não sei se é o destino,
e desconfio de quem tem tanta certeza dele.

Sei apenas que, entre todas as coisas
que ainda não conheço,
há uma que desejo conhecer primeiro:

o que sentirei
quando os teus olhos encontrarem os meus
e já não houver distância
para me proteger do que sinto.

  • Autor: Metamorfose (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de outubro de 2026 10:54
  • Comentário do autor sobre o poema: Para ti que já me tens, antes de me pertencer.
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 3
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