Não escreverei mais erótico

Versos Discretos

Abandono o lápis, juro que não escrevo,
mas tua mão me desce, urgente e cega,
a coxa cede ao fogo que não meço.
A pele em suor se cola, e eu me entrego,
a respiração se perde no teu pescoço,
enquanto o peito arqueia e perde o siso.

Digo que chega, mas o teu peso me afunda,
quadril com quadril num atrito denso e quente,
a fricção contínua que rasga qualquer razão.
A carne pede mais, a pressão se aprofunda,
o toque desliza pela umidade urgente,
e cada estocada me desfaz no teu chão.

Não haverá mais versos, juro e minto,
enquanto o ritmo acelera e o corpo trava,
a onda do gozo subindo pelas entranhas.
É a vertigem cega de tudo o que sinto,
a pele que queima na última trava,
e a boca que morde antes que o mundo se espalhe.



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.