Permaneço

ondavida amar

os gritos abafados
neste peito de cristal
ressoam no meu ser
e ensurdecem as noites caleidoscópicas
em que me refugio.

fiz-me de amarras que não me deixam partir;
entrego-me ao lamento e aguardo o sol democrático na parte que me toca.

existo — não por culpa ou mal-entendido —,
existo por permanecer neste estado
onde repouso a cabeça.

não vou por não ter para onde ir;
e, se fosse,
seria apenas um sonâmbulo dos dias ensolarados.



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