Eu vou esmagar você
Juro que não sei
Mas você me lembra alguém
Alguém que
Desperta
A desprezível fraqueza
Alguém que
Me abraça
E diz para
Eu parar
Eu fui longe demais
Pra voltar a ser alguém
Tão longe dessa paz
Que você prometeu
Nunca mais vi o Sol
Nunca mais tive fé
Se puder, olhe por mim uma última vez
Quando no céu estiver
Não sei me expressar sem poesia;
ela é meu refúgio, meu vício, minha maldita obsessão.
Arranco palavras da garganta do silêncio
e faço da língua portuguesa minha munição.
Dedico-te mil versos, cada qual uma ferida,
mas nem o idioma mais belo do mundo
daria conta da tua desgraçada maestria.
Tua alma é arte, teu rosto é covardia,
pois iluminas meu céu
enquanto incendeias meus dias.
Meus versos talvez sejam clichês,
não fui pioneiro, porra, sou herdeiro
dos que fizeram da palavra um universo inteiro.
Mas não carrego essa herança como enfeite:
carrego o peso de transformar minhas ruínas
em algo que nem o tempo desrespeite.
Arranco beleza do caos,
transformo cicatrizes em expressão,
faço daquilo que me destrói
a porra da minha melhor criação.
Tudo o que sou, tudo o que sinto,
tudo o que ainda tenho para oferecer:
um punhado de verdades malditas
que muita gente não teria coragem de escrever.
Talvez a poesia seja a maneira mais inteligente
de disfarçar o colapso de uma mente,
de vestir o desespero com palavras elegantes
e fingir que o sofrimento nos torna interessantes.
Misturo pensamentos, vomito sentimentos,
construo significados sobre os escombros
e chamo de arte o que sobrou por dentro.
Porque nem sempre a poesia sabe falar.
Às vezes, a desgraçada engasga,
morde a própria língua,
se afoga naquilo que tenta explicar.
Quer traduzir o indizível,
dar forma ao que ninguém consegue enxergar,
mas há sentimentos tão fundos
que nem mil versos conseguem alcançar.
E tudo bem.
Nem toda palavra precisa vencer;
às vezes, basta acertar onde dói
e obrigar alguém a se reconhecer.
Porque um poema não serve apenas para emocionar:
também serve para incomodar,
arrancar máscaras,
desenterrar verdades
e fazer certas consciências sangrar.
Faz você questionar quem é seu amigo,
quem te abraça por afeto
e quem espera, pelas suas costas,
a oportunidade de te ver no chão.
Agora, falando de você...
Quero falar de amor, mas que inferno,
não consigo.
Há um turbilhão de coisas queimando no peito,
e, entre todas elas, o ódio não encontra abrigo.
Ódio para quê, caralho?
Que mérito existe em odiar
a mulher que me arrancou da indiferença,
que me fez sentir vivo
quando eu já nem sabia o que era despertar?
Você mexeu em lugares que eu mantinha enterrados,
acendeu luzes em quartos abandonados
e fez meus demônios voltarem a conversar.
Poucas conseguem.
Você conseguiu.
E talvez essa seja a parte mais cruel:
ter tanto poder sobre alguém
sem precisar mover um dedo sequer.
Foi com a porra do teu olhar
que me conquistaste.
Não pediste licença,
não ofereceste garantias,
não prometeste ficar.
Apenas olhaste,
e eu, que me julgava dono de mim,
descobri o quanto é fácil desmoronar.
Que estrago bonito, filha da puta!
Que maldita ironia:
eu, que faço das palavras minha fortaleza,
não encontro uma frase que me salve da tua presença.
Sou poeta quando o mundo me desafia,
mas diante de ti
minha arrogância perde a voz
e minha lucidez pede alforria.
Vou ao céu e ao inferno
para arrancar poesia de qualquer lugar.
Desço às profundezas, negocio com meus monstros,
faço o próprio diabo se ajoelhar.
Às vezes, sou o demônio da história,
não por ser mau,
mas por conhecer a escuridão
e saber como ela pode falar.
Imagino o que o diabo faria
se descobrisse a tua magia:
talvez tentasse comprar tua alma,
talvez amaldiçoasse a própria tentação,
ou talvez, pela primeira vez na eternidade,
percebesse que existem infernos
que não precisam de condenação.
O perfume da tua alma me atrai,
mas tua beleza tem dentes.
Há algo em ti que seduz e destrói,
uma espécie de veneno que sorri para a gente.
Por isso, não te toco.
Não porque me falte desejo,
mas porque há abismos que parecem convites
e quedas que começam com um beijo.
Prefiro admirar-te de longe,
amaldiçoar a distância,
fingir que ainda tenho algum controle
sobre essa desgraçada circunstância.
Porque desejar também é uma guerra,
e nem todo combatente sai vencedor.
Às vezes, a maior demonstração de coragem
é não transformar desejo em dor.
E tua voz...
Porra, tua voz!
É uma canção que desafia a existência,
uma melodia que desmonta certezas
e faz a razão implorar por clemência.
Se os humanos pudessem ouvi-la por inteiro,
talvez descobrissem, tarde demais,
que há sons capazes de destruir o silêncio
e silêncios capazes de destruir a paz.
Talvez eu nunca consiga dizer tudo.
Talvez me faltem palavras
porque me sobram sentimentos.
Talvez eu seja apenas um homem
tentando impor ordem ao próprio tormento.
Por isso, escrevo.
Porque, quando a voz falha,
quando o orgulho se parte,
quando o coração vira um campo de batalha
e a razão abandona o combate,
resta-me a poesia.
Não como cura.
Não como salvação.
Mas como a porra da única arma
que ainda obedece à minha mão.
Meu refúgio.
Meu lar.
Minha obsessão.
Meu jeito imperfeito de existir
quando sentir demais
ameaça me destruir.
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Autor:
Jão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 19 de outubro de 2026 00:41
- Categoria: Amor
- Visualizações: 1

Offline)
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