Berço

Ludmyla

Um dos primeiros lares que conhecemos. Nosso lugar de conforto, assim como o colo de quem amamos.

De quem nos mostrou o mundo. 

De quem nos guiou, um passo de cada vez, até aprendermos a caminhar sozinhos.

 

Cada emoção, sentimento e sensação, carrega um pouco do que vivemos. 

Somos, em parte, reflexos de quem conhecemos, do tipo de amor que recebemos, e da ausência do mesmo.

Pouco a pouco crescemos. Até que, um dia, acreditam que estamos prontos. 

Prontos para sair das asas de quem amamos e seguir explorando. 

Mas será que seguimos quando ficamos prontos ou quando soltam a nossa mão? 

Será que nos deixaram sem direção antes de entendermos o caminho?

Eles estavam lá, mas perceberam que nos sentimos perdidos? 

Ou bastava nos dar alguma distração?

"Toma um brinquedo!" 

"Assiste àquilo!" 

E com isso aprendemos a nos distrair sozinhos. Afinal, já estávamos grandinhos. 

Aprendemos a não chamar tanto, a não pedir tanto, a não incomodar tanto.

E, pouco a pouco, fomos nos isolando. E, quanto mais nos acostumávamos com a própria companhia, mais difícil era de sentir necessidade de alguém.

 

A solidão não me mostra quem eu sou. 

A solidão me mostra quem eu fui.

Aquela criança que ainda espera quem ama voltar. 

E essa solidão vai se expandindo, assombrando até se tornar medo.. 

Medo de brincar sozinha. Medo de crescer sozinha. Medo de dormir sozinha.

Porque não era sobre dormir sem alguém.

Era sobre acordar e perceber que nunca ficaram aqui. 

Que não cumpriram a promessa de presença, e eu, novamente, fiquei sozinha. 

E o medo daquele dia não some ao dormir. Ele cresce comigo; ainda sinto ele aqui!

 

E, sem perceber, os dias vão passando, o cansaço vai acumulando, e o silêncio desperta aquilo que não nomeamos.

Mas hoje sei: a sensação de abandono.

 

E, quando menos esperar, aquela criança vai despertar.

Sozinha. Assustada. Perdida.

Torcendo para não voltar pro dia que acordou sem saber se alguém voltaria.

  • Autor: Amatus (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de outubro de 2026 23:30
  • Categoria: Reflexão
  • Visualizações: 2


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