Daqui a pouco
o Sol rasgará o domingo ao meio
rumo à noite que antecede ao amanhã
do agora que dele nada lembrarei
nem mesmo a guimba apagada do cigarro
esquecido entre cinzas no cinzeiro
Lembranças não são fragmentos cronológicos
salpicados nas paredes porosas da memória
mas afetos que de alguma forma ou de outra
se salvaram do inevitável naufrágio das horas
Antes que a pressa da vida me mude o cenário
vou colecionando as ausências que hoje me sustentam
pois todos somos, afinal
edifícios de tijolos invisíveis
esculpidos com os cascalhos
daquilo que perdemos pelo caminho
De algum lugar do mundo
ouço ao longe Sonata ao Luar de Beethoven
antes que Sol impiedosamente rasgue
este enfadonho domingo ao meio
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Autor:
joaquim cesario de mello (
Offline) - Publicado: 18 de outubro de 2026 11:08
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 7
- Usuários favoritos deste poema: Queiroz Francisco, Michel F.M.

Offline)
Comentários1
O domingo é um reflexo do nosso tempo. Achei muito interessante a forma como você desenvolveu o poema. Parabéns! Joaquim, um abraço.
Obg por abrir um espaço no seu domingo para ler este pequeno poema
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