Aos homens me uno
pelo jugo da canga.
Os bois se emparelham
arrastando pertences do senhor.
O feno é leve sem mistura de dor.
Em andrajos os homens consomem
seus quinhões, suas heranças.
Atearam bombas nas safras,
trucidaram crianças nas praças
de pombas azuis.
Aos homens me uno
se não tiverem avalistas,
só protestos. A mora judicial
é para os idealistas, os puros.
Os perjuros não pagam juros.
E Biafra?
Com a liberdade nos sonhos,
e dor imposta aos ombros,
sucumbe nas grades das raças,
nas podridões das pátrias,
aras sangrentas e vãs.
E as crianças afegãs?
Aos homens me uno
nos bancos dos jardins. Nos de sangue,
após a doação, há ceia de confraternização.
Mas nos do Brasil, nos do mundo, não tenho a senha:
fundo ou latifúndio.
Andejos homens sem rota,
de ideologias impostas,
são pedras no jogo poder,
proclamam tiranos nas praças,
encenando dramas e farsas,
eufemismo de sofrer.
Aos homens me uno
pelo jugo da canga.
As salivas se diferem
naquilo que digerem.
O feno é leve sem mistura de dor.
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Autor:
Sandra Pimentel (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 17 de outubro de 2026 18:42
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6
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