Nesta campa, Avó, ficou minh’alma derradeira:
metade em mim, metade junto a ti ...
A que em teu corpo morto eu perdi
choro-a lentamente por ser a verdadeira!
A outra, que em mim vive prisioneira,
deambula sem ti, longe de si;
esperando o fim da vida, hoje aqui,
para se juntar à outra e ser inteira.
E só quando a morte vier, sem mais demora,
meu corpo serenamente dormirá junto ao teu,
unida a ti, minh'alma há-de erguer-se desse mausuléu
e aquilo que a saudade em vida nos devora
há-de encontrar no amor que não morreu
dois corpos numa campa e duas almas no céu.
(O neto que continua a caminhar pela vida, incompleto, até que a morte devolva à terra o seu corpo junto ao corpo da Avó e liberte a metade da alma que junto a ela fora sepultada e lhe faltava para a reunião eterna no céu.)
-
Autor:
Ricardo Maria Louro / Káká Louro (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 17 de outubro de 2026 04:10
- Categoria: FamÃlia
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: Ricardo Maria Louro

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.