Se ao mirado o infinito revela
Um rosário de eras que findas
Nos chegam a cansadas retinas
Como pontos num vazio que impera,
Que dizer destes olhos que miram
Desta terra, nada mais que um grão
De poeira, nebulosas que giram,
Pelo cristal desta lente, esta escuridão?
Destes olhos do mesmo pó oriundos
De distanciadas eras, momentos, segundos,
A fluírem na luz, nestes mecanismos,
Destas janelas perplexas diante do abismo…
Porto Alegre, 6-8 de novembro de 2001

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