Lufar Eterno

Michel F.M.


Falamos de sonhos concretos,
Que se movem e podem voar,
Devaneios alados, que sussurram
Ao vento e ressoam no ar,
-
Independente do futuro
Que você acredita ou sente
E de como chegaremos lá.
-
Para cada trecho encurralado
Das almas cansadas, doentes,
Que nossa bomba cardíaca
Possa enfim inspirar,
-
O amor pelo humano evocado,
Neste tabuleiro sitiado,
Permutemos egoísmo por humanidade.
-
Um futuro liberto
Do individualismo,
Que mantém contudo,
A preciosa individualidade.
-
Não importa o tamanho do fardo,
Fardos existem para se superar.
Combatendo esmagadora opressão,
É lado a lado, o nosso lugar.
-
Permitamo-nos sentir,
O toque suave do orvalho sereno,
No alvorecer invencível,
Nosso Lufar Eterno.
-
[Michel F.M. - Revolesia]


CELEBRAÇÃO DE UM AMOR SEPULTADO
Quando nós pulverizamos um grande amor enlutado
Acreditamos bem antes que o amor já foi sepultado
Que deixou de existir para o mundo simplesmente
Que passou a ser fantasma a sofrer eternamente...

  • Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Vilma Oliveira
  • Visível: Todos os versos
  • Publicado: 16 de outubro de 2026 12:50
  • Limite: 10 estrofes
  • Convidados: Amigos (usuários da sua lista de amigos podem participar)
  • Comentário do autor sobre o poema: "Lufar Eterno" é um poema lírico e humanista de Michel F.M., publicado originalmente em 2022, que explora a resistência coletiva, a empatia e a esperança diante das opressões sociais. O título utiliza a palavra "lufar" (o soprar do vento) como uma metáfora para um movimento contínuo de renovação e fôlego de vida que nunca se apaga. Abaixo está uma análise detalhada dos principais eixos temáticos e da estrutura da obra: 1. Temas Principais - • A Utopia Concreta: O poema abre com a expressão "sonhos concretos", um paradoxo que une o idealismo (devaneios alados) à capacidade real de transformação. O futuro é visto como um horizonte inevitável, independentemente das crenças individuais de como alcançá-lo. • Empatia e Humanitarismo: O autor faz um apelo direto para que a "bomba cardíaca" (o coração) funcione como um motor de inspiração para curar as "almas cansadas, doentes". A metáfora do "tabuleiro sitiado" evoca uma sociedade em crise ou em guerra psicológica, onde a saída proposta é a permuta do egoísmo pela humanidade. • Coletividade vs. Individualismo: Um dos pontos centrais é a distinção cirúrgica entre o isolamento social nocivo e a identidade própria. O poema defende um futuro livre do individualismo, mas que preserve a individualidade — ou seja, a união de forças sem a perda da essência e dos direitos de cada sujeito. • Resistência e Companheirismo: A união civil surge como a única resposta contra a "esmagadora opressão". A máxima "é lado a lado, o nosso lugar" transforma o sofrimento isolado em uma luta comunitária e ativa. 2. Estrutura Linguística e Estilística - • Antíteses e Conflitos: O texto é construído sobre oposições que se resolvem no otimismo (fardo vs. superação; opressão vs. lado a lado; egoísmo vs. humanidade). • Metáforas Biológicas e Geométricas: O uso de termos como "bomba cardíaca" humaniza a poesia através da ciência, enquanto o termo "tabuleiro" sugere um jogo de poder estratégico e opressor enfrentado pelos cidadãos. • Tom Convocatório: O uso frequente da primeira pessoa do plural ("Falamos", "Permutemos", "Permitamo-nos", "Nosso") convida o leitor a fazer parte da mudança. Não se trata do lamento de um eu lírico isolado, mas de um manifesto coletivo. 3. Conclusão e o Significado do "Alvorecer" - O encerramento do poema traz um forte tom de esperança e sensibilidade. O "orvalho sereno" e o "alvorecer invencível" simbolizam o fim da noite escura da opressão. O Lufar Eterno, portanto, representa o sopro persistente da dignidade humana, que continua se movendo e inspirando os indivíduos a resistirem juntos, independentemente do tamanho dos fardos históricos.
  • Categoria: Reflexão
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  • Em coleções: Zumbido Coletivo.