Entre nós havia uma energia cômica,
Tendenciosa ao prazer e ao escárnio.
Parecíamos pensar os mesmos pensamentos,
Ter as mesmas falas.
Você me toca a coxa enquanto sentamos;
Seguro teu rosto ao conversarmos.
Sempre havia ali uma paixão contida —
Um gato que se perde nos olhos na escuridão.
Mas seria mesmo um gato?
Eu canto e você ri,
Você toca e eu choro.
Dicotomia e digressão.
Arritmia cardíaca.
Ambos sofríamos da mesma doença
E sabíamos disso,
Sem precisarmos ousar desabafar.
Então ríamos. Chorávamos.
Você é jovem e encontra belos rapazes.
Nenhum como eu.
Acho que por isso se contenta por um tempo,
Até que não assume nenhum;
Depois, caminha comigo de mãos dadas.
Eu apenas atesto sua vivacidade:
É linda e louca.
Tem mais vida que as plantas de um jardim
E é livre feito um pássaro.
Louca e linda.
Única.
De mesma energia,
Que segue seu fluxo
Até que morremos em nós —
Seja na paixão, no ódio
Ou na confissão.
-
Autor:
Paulo Silva (
Offline) - Publicado: 14 de outubro de 2026 04:46
- Categoria: Amor
- Visualizações: 3
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.