basta pensar
positivo,
a positividade
é o X da quextão,
alinhando
nossos chakras,
traçando
nosso mapa astral,
realizando
uma profunda
meditação.
contemplar
o mundo inteiro
ardendo,
enquanto enviamos
uma boa vibração.
______________________
04/03/23
[Michel F.M. - Acumulador de Feitos Invisíveis - Trilogia Ensaio sobre a Distração - Vol. 1]
-
Autor:
Michel F.M. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 13 de outubro de 2026 05:27
- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Desbravando as entranhas da positividade delirante" é uma forte crítica irônica à "positividade tóxica" e ao individualismo alienante disfarçado de espiritualidade moderna. O autor utiliza o sarcasmo para expor como as práticas de bem-estar e o otimismo excessivo podem servir como anestésicos sociais diante das crises reais do mundo. - Estrutura e Análise Temática - 1. O Título como Chave de Leitura - O título já antecipa o tom crítico da obra. As expressões "desbravando as entranhas" sugerem uma investigação profunda, quase cirúrgica ou visceral, daquilo que o autor classifica como uma "positividade delirante" (um otimismo que perdeu o contato com a realidade). 2. Primeira e Segunda Estrofes: A Satirização do "Kit Bem-Estar" - Nas duas primeiras estrofes, o eu lírico reúne clichês do pensamento de autoajuda e do esoterismo mercantilizado: • "basta pensar positivo" • "X da quextão" (o erro proposital de grafia com "x" pode evocar informalidade das redes sociais ou sotaques específicos, ironizando a superficialidade do discurso). • Chakras, mapa astral e meditação. O uso do verbo "basta" ironiza a promessa de soluções mágicas e puramente individuais para problemas que muitas vezes são complexos e coletivos. 3. A Terceira Estrofe: O Choque da Realidade (Quebra de Expectativa) - O ponto de virada do poema ocorre na última estrofe através de uma antítese violenta: "contemplar / o mundo inteiro / ardendo // enquanto enviamos / uma boa vibração" • O contraste: A imagem apocalíptica do "mundo inteiro ardendo" (guerras, crises climáticas, desigualdade) colide frontalmente com a passividade inútil de apenas "enviar uma boa vibração". • A crítica central: O poema denuncia a alienação. Sugere que essa positividade extrema funciona como um privilégio egoísta, onde o indivíduo se preocupa tanto com sua paz interior (seus chakras e vibrações) que se torna indiferente ou incapaz de agir diante do sofrimento alheio. - Recursos Estilísticos - • Ironia: Dizer uma coisa querendo expressar o oposto. O poema finge defender a positividade para, na verdade, expor sua hipocrisia. • Versos Livres e Curtos: O ritmo fragmentado desacelera a leitura, dando um tom quase mecânico e ritualístico que imita um mantra, quebrando-se abruptamente no final impactante. - Conclusão - O poema funciona como um espelho incômodo para a sociedade contemporânea. Ele sublinha que a verdadeira empatia e transformação não surgem do isolamento em uma bolha de otimismo, mas sim do olhar corajoso e ativo para as dores do mundo.
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 7
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Samara A. Ferreira
- Em coleções: Acumulador de Feitos Invisíveis.

Offline)
Comentários1
Gostei muito de seu poema, Poeta.
Já vivi nessa bolha, agora sei que era minha forma de me blindar do medo se ser engolida pela realidade criada pela humanidade.
Hoje sei que, como ser encarnado, apenas vibrar alto não basta, é necessário enfrentar a realidade e tentar fazer a diferença em terra.
Gratidão pelos belos e realistas poemas que nos presenteia.
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