Passei tanto tempo calado,
suportando o insuportável,
que me tornei o próprio inferno
que julgava ser evitável.
Engoli palavras, dores e traições,
fingi que nada me feria,
mas cada golpe ignorado
alimentava o monstro que em mim dormia.
E quando ele enfim despertou,
não houve grades, nem piedade.
Destruí tudo o que tocava,
confundindo força com crueldade.
Feri quem nunca me feriu,
afastei quem quis me acolher,
transformei carinho em cicatriz
e fiz quem me amava sofrer.
E o pior não foi perder o controle,
nem descobrir do que sou capaz.
Foi perceber que, ao ferir tanta gente,
me tornei aquilo que eu odiava demais.
Agora, encaro os destroços
das coisas que não consertei,
das promessas que fiz sorrindo
e das quais jamais me lembrarei
sem sentir vergonha de quem me tornei.
Perdão, por não ter sido abrigo
quando alguém precisava de mim.
Por ter levado tanta tristeza
a quem só queria me ver feliz.
Perdão pelas promessas quebradas,
pelos abraços que não vou devolver,
pelas pessoas que ainda amo,
mas que preciso esquecer.
Não me faltou vontade de ficar,
nem me faltou motivo para tentar.
É que existem guerras tão silenciosas
que até quem vence deixa de voltar.
E se amanhã perguntarem por mim,
não digam que eu deixei de me importar.
Eu só cansei de ver tudo o que amo
se perder toda vez que tento lutar.
Hoje, encerro as portas,
apago as luzes, abandono o que restou.
Não porque o mundo tenha acabado,
mas porque fui eu quem o incendiou.
E antes que o monstro desperte outra vez,
antes que eu destrua o que ainda me resta,
escrevo minhas últimas palavras:
Ponto final.
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Autor:
Alex Azambuja (
Offline) - Publicado: 12 de outubro de 2026 19:57
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

Offline)
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