QUASE UMA MONALISA

Ayalah Verônica Berg

 

Não me aconselhas.
Só tenho sobras.
E as sobras
têm dono.
 
Não me vejas.
Vê a pintura.
A moldura
sou eu.
 
Ama o retrato.
Eu não posso.
Já tenho
quem me invente.
 
Lealdade?
Não vem
sozinha.
Tu concordas.
 
Deixo um intervalo.
Adoro descuido.
Por hábito.
 
Vem.
A queda
não ensina.
Basta.
 
No fim,
não me achaste.
Nunca estive.
Estive sempre
onde te faltas.
 
Se está aqui,
já és meu.
Fecha os olhos.
Agora sou eu.
A noite é a loucura.
Eu minto melhor.
 
 
Quase uma Monalisa 
 de Ayalah Verônica Berg 

 



Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.