o inferno
é sempre particular
e todos os demônios
vivem dentro de nós.
-
seria tão fácil
se todo dilema
só fosse pessoal.
-
mas de indivíduo
em indivíduo,
o problema coletivo,
nalgum momento
transpassa o individual.
-
observando impactos
ambientais, há previsão
de outro dia nublado,
no crepúsculo social.
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e os ventríloquos
do neoliberalismo,
implementando
a repugnante agenda
do capital.
-
uma flor brota,
brutalmente pisoteada.
-
até que a última
gota de sangue
dos seres viventes,
seja sugada enfim,
afinal.
-
Escuta:
Desperta-te,
Levanta-te,
Liberta-te
e Luta.
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[Michel F.M. - Revolesia]
É verídico que todos temos uma versão kalanchoê
Aquela versão de nós onde podemos estar fortes até contra a morte
E ao mesmo tempo, frágeis e sensíveis aos males que nós circundam
E está tudo bem
Se entendemos que
Podem coexistir entre si
A balança equibrada
Nada será espectativa frustrada
E é o que dá sabor
Tempera nosso humor
E pela vida afora
Kalanchoê afortunada
Fortalecida e colorida
Em cada versão pedida
Para cada situação
Social ou pessoal
Demonstra em nós a maior fortuna
A de nossa alma estar sempre aberta
Pronta pra ser coabitada sem conflitos
Por vários aspectos inscritos
E devidamente posicionados...
Velho matuto
me disse: — Kalanchoê!
Deitado estava,
deitado fiquei.
Mais alto,
o velho matuto gritou:
— Kalanchoê, meu irmão!
Uma fresta de olho eu abri,
e ele reforçou:
— Kalanchoê, desperta!
Lhe perguntei:
— Por que me amolas
com isso que nem sei?
— Para saber, levanta-te,
meu irmão Kalanchoê,
me dê sua mão.
De pé, olhando em seus olhos,
ele não precisou dizer mais nada:
em tudo expressava dignidade.
A mesma que me desejava:
— Kalanchoê, enquanto há vida,
há beleza!
(Queiroz, Francisco)
Fatos e Defeitos
Os fatos são apenas os momentos,
A dita-verdade é que tudo amplia,
História que se conta por fragmentos,
E ambos se desalinham nesta utopia.
Ou tudo passará de uma mentira,
Forjada atrás de meias-visões,
O perfil que da meta já partira,
Das máscaras em tantas relações.
A tríade em guerra, diz: quem morre?
Inferno é o real que se descobre,
Certeza que se faz e agora escorre...
Conluio que a consciência nos encobre.
Cultivo em meu jardim a kalanchoe,
Que nos proteja e sempre abençoe.
— Jorge E. Leal
A noitinha ao pé da fogueira.
Cai na asneira de dizer para o compadre que kalanchoe estava dizimando a plantação.
Sabe se como e na zona rural, ninguém quer saber dos por menores.
Compadre correu a pegar sua espingarda papo amarelo e se entocou no milharal esperando kalanchoe.
E foi que por tantas da noite.
Vinha um barulho infernal do meio do milharal para os lados de onde o compadre estava.
O bruto dormiu na mira e uma coceira no dedo para puxar o gatilho da arma.
E foi quando se toparam o compadre e o que ele pensava que era o kalanchoe, foi que escutou.
Falado com voz cavernosa.
_ Atira na cabeça que e para não estragar o couro.
O Compadre já ia apertar o gatilho, quando viu que o bicho pulava numa perna só.
Resumo.
A espingarda, fomos buscar no dia seguinte no milharal e no lugar parecia que ouve uma peleja de uns trezentos combatentes.
O compadre esta correndo até hoje.
E quando novamente nos encontramos em volta da fogueira, contando causos corriqueiros.
E que alguém muda o rumo da prosa para kalachoe, da uma tristeza em ver, um a um, despedir se dizendo que esta com sono.
Imagino eu que na contenta de Saci com kalachoe, deu empate, mas como o compadre não esta presente para testemunhar.
Ninguém além do compadre viu e não tendo mais testemunha.
Quando o poeta se distancie da inspiração, o jeito e inventar uma história.
Se vai passar eu não sei.
Só o que sei e que participei.
Sr Apegaua
- Autores: Michel F.M. (Pseudónimo, Lucita, F. Queiroz, Jorge E. Leal, Julian Lael, Dodge Leal, Apegaua
- Visível: Todos os versos
- Publicado: 12 de outubro de 2026 09:10
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- Comentário do autor sobre o poema: O poema “Kalanchoê”, escrito por Michel F.M., é uma obra de forte teor político, social e existencial. O autor utiliza a metáfora da planta Kalanchoe (conhecida popularmente como flor-da-fortuna ou calanchoê, famosa por sua resistência) para contrastar a fragilidade e a força da vida diante da opressão sistêmica. Abaixo, apresento uma análise estruturada dos principais eixos temáticos e recursos do poema: 1. Da Dor Individual ao Caos Coletivo (Estrofes 1 a 3) • O Inferno Interno: O poema abre com uma perspectiva intimista e existencialista ("o inferno / é sempre particular"), ecoando a famosa frase de Jean-Paul Sartre ("o inferno são os outros"), mas invertendo-a: aqui, os demônios são internos. • A Transição: O eu lírico pontua que o isolamento do sofrimento seria um caminho "fácil". Contudo, ele desfaz a ilusão do individualismo hipermoderno ao demonstrar que a soma das dores individuais inevitavelmente transborda para uma crise coletiva ("de indivíduo / em indivíduo... transpassa o individual"). 2. Crítica Ecológica e Anticapitalista (Estrofes 4 e 5) • Crise Climática e Social: A quarta estrofe conecta os problemas humanos ao meio ambiente ("impactos / ambientais"). A expressão "crepúsculo social" funciona como uma metáfora para a decadência da civilização, onde o futuro é obscurecido por um "dia nublado". • O Alvo Político: O poema se torna explicitamente ideológico ao apontar os culpados: os "ventríloquos / do neoliberalismo". A escolha da palavra "ventríloquos" sugere que os agentes do sistema não passam de fantoches manipulados pelas forças invisíveis e destrutivas do mercado ("a repugnante agenda / do capital"). 3. A Metáfora do Kalanchoê (Estrofes 6 e 7) • A Flor Pisoteada: O título ganha sentido pleno nesta imagem. O calanchoê é uma planta suculenta que resiste ao calor e à escassez. No poema, ela representa a própria vida, a beleza ou a classe trabalhadora que "brota, / brutalmente pisoteada". • O Vampirismo do Sistema: A penúltima estrofe usa uma linguagem visceral ("gota de sangue... seja sugada") para ilustrar a exploração máxima da natureza e dos seres vivos pelo capital, sugerindo um processo de destruição total ("enfim, afinal"). 4. O Manifesto e o Apelo à Ação (Última Estrofe) - O encerramento altera radicalmente o tom do poema, deixando o pessimismo analítico de lado para se transformar em um manifesto de resistência. • Através do uso de imperativos em gradação ("Desperta-te, / Levanta-te, / Liberta-te / e Luta"), o eu lírico convoca o leitor à práxis revolucionária. Não basta entender o problema; é preciso agir. Resumo da Análise - O poema move-se habilmente de uma angústia psicológica para uma crítica macroeconômica, terminando como um grito de revolta. O Kalanchoê é o símbolo da resiliência que, mesmo esmagada pelo peso do neoliberalismo, guarda em si o potencial para o despertar e a luta.
- Categoria: Reflexão
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- Em coleções: Zumbido Coletivo.
