Acordei deitado em paz como todos os dias.
Chamado a levantar-me como todos naquela manhã.
?O sentimento, no entanto, era diferente
dos sentimentos que ainda tinham nome:
entorpecente.
?E logo agitou-me a alma;
a notícia penetrou a pele,
como o beijo inocente dado pela boca
que acabara de trair.
?Do lado de dentro da porta
que neste dia eu não ousara abrir,
habitava uma sensação dissonante
de tudo que lá fora insistia em existir.
?Vestido, desperto, em pé,
permanecia agarrado àquilo
que o ladrão não conseguira roubar.
?Semivivo, meio-morto,
quase insensível,
caí em mim.
?A morte havia chegado
antes de existir.

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